Confira as novidades da UNAT-Brasil.
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JÁ SE INSCREVEU EM NOSSO FÓRUM?
Um Convite à Conexão Humana no Século 21 |
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A essência do nosso Fórum de agosto nasce do encontro vivo entre vozes que se escutam.
É nos diálogos — esse território onde a alma se expande — que reconhecemo-nos como analistas transacionais comprometidos com a Oqueidade, movidos pela Physis e guiados pelo ideal de Autonomia.
Somos nós, juntos, que olhamos para o momento que atravessamos com coragem e lucidez. Somos nós que, fortalecidos pela presença uns dos outros, abrimos caminhos onde antes só havia incerteza. Cada troca, cada reflexão compartilhada, cada olhar que acolhe e provoca, tudo isso compõe o tecido que sustenta este Fórum.
E é por isso que a sua presença não é apenas bem-vinda — ela é essencial. Sem você, algo se perde. Com você, o encontro existe em sua plenitude, ganha corpo, sentido e direção.
Venha. Traga sua voz, sua escuta, sua história.
É no coletivo que encontramos as saídas possíveis e reacendemos a esperança do novo.
Conheça o significado dos símbolos que fazem parte do logo do Fórum
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Eleição da Nova Diretoria da UNAT Brasil
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Participe da gestão da UNAT Brasil!
Você tem até dia 24 DE MAIO para se candidatar.
Os cargos disponíveis são:
-Vice-presidência
-Diretoria Administrativa
-Diretoria Financeira
-Diretoria de Docência e Certificação
-Diretoria Científica
-Diretoria de Ètica
-Diretoria de Comunicação
==> dias 24 a 26 de agosto para votação
==> Assembleia geral 26/09 - posse e prestação de contas
Assembleia agendada para 26 de setembro de 2026
1ª chamada às 8h e 2ª chamada às 10h30.
Temas: prestação de contas da atual gestão da Diretoria e posse oficial da nova Diretoria.
Quando necessário, estamos aqui, disponíveis para outras informações e aguardando sua participação.
Um abraço,
Jane M P Costa
Presidente do Conselho Deliberativo da UNAT-Brasil
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Cantinho da Ética
ÉTICA – UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA |
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A ética não é um termo simples de definir. Muitas pessoas estão convencidas de que “estão fazendo a coisa certa”, mas isso não significa, necessariamente, que estejam refletindo sobre o próprio comportamento a partir de uma perspectiva ética (De Graaf & Levy, 2011).
Esses autores propõem dois princípios importantes para pensarmos a ética:
- O debate ético nunca se encerra — ele permanece como uma busca contínua pelo que é apropriado.
- O propósito desse debate não é determinar, de forma definitiva, o que é certo ou errado, mas ampliar a conscientização sobre as escolhas que fazemos.
Diante dos problemas contemporâneos — em diferentes níveis — e do avanço acelerado da internet e da Inteligência Artificial, somos convocados a revisitar nossos valores. No entanto, muitas vezes, parece haver uma tendência a ocupar uma posição de distância: observar, analisar, comentar… sem necessariamente se implicar.
As diferenças culturais também nos lembram que o que é considerado ético não é universal, mas atravessado por visões de mundo e sistemas de valores. A ética, nesse sentido, pode ser compreendida como a expressão prática das nossas crenças e do nosso Quadro de Referência — construído, em parte, a partir da família e da cultura, e, em parte, fruto de escolhas conscientes.
Se tudo muda o tempo todo, nossa ética também precisa ser pensada em movimento. Isso inclui revisar continuamente os rumos do nosso trabalho, das nossas práticas e das nossas posições diante do mundo.
Clarkson (1987, 1996), ao expandir o Triângulo Dramático e a Análise dos Jogos, introduz o papel do espectador — uma posição que merece atenção quando pensamos eticamente.
O espectador:
- Está consciente de que algo está acontecendo;
- Não assume responsabilidade nem pela mudança, nem pela manutenção da situação;
- Constrói explicações convincentes sobre por que “não teve escolha”;
- Desconsidera a própria capacidade de influenciar o contexto.
Essa posição pode aparecer de forma sutil no cotidiano, sustentada por discursos como:
- “Não é problema meu.”
- “Não quero me queimar.”
- “Cada um cuida do seu.”
- “Estou apenas fazendo o que me pedem.”
- “Ser neutro é o melhor caminho.”
Mas talvez a questão ética que se impõe não seja apenas o que é certo fazer, e sim: de que lugar estamos escolhendo agir — ou não agir?
Porque, em muitos contextos, a neutralidade não é ausência de posicionamento. É, também, uma forma de participação.
Comissão de Ética
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O Artigo que Só Você Pode Escrever
E que deixaria Eric Berne bem orgulhoso!
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VEJA COM QUE ALEGRIA ELE LÊ O SEU TEXTO!
A Análise Transacional brasileira vive um momento vibrante — e você pode fazer parte dessa história. Em cada consultório, sala de aula ou organização, existe um tesouro escondido: uma experiência, um insight, uma intervenção que Eric Berne adoraria conhecer.
A Comissão Científica da UNAT-BRASIL acredita que muitos desses achados já estão nas mãos dos nossos Analistas Transacionais — só falta transformá-los em artigos que inspirem a comunidade!
Escrever não é um bicho de sete cabeças; é um ato de generosidade com a ciência. Talvez você já tenha pensado: “isso daria um ótimo artigo”. Pois daria mesmo — e nós queremos caminhar ao seu lado para que essa ideia ganhe forma, método e brilho.
Nossa proposta é simples: apoiar você em cada etapa, desde a escolha do tema até a finalização do texto, para que sua produção seja digna de encantar Berne e fortalecer a identidade da AT no Brasil.
A próxima edição da Revista Brasileira de Análise Transacional (REBAT) quer refletir a diversidade, a criatividade e a profundidade do nosso trabalho.
A pergunta é: sua experiência vai ficar apenas na memória ou vai se transformar em legado?
O convite está feito — e você tem uma Comissão Científica que está aqui para trilhar esse caminho com você. Vamos conversar a respeito? Já estamos esperando seu contato em: cientifica@unat.org.br.
Com carinho,
Sua Comissão Científica!
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O Dia Internacional da Dança:
AT uma clínica que move
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MARÍLIA PEREIRA
Psicóloga clínica (UniCEUB, 1991), Didata Clínica em Análise Transacional pela UNAT-BRASIL, especialista em Psicodrama Clínico e em Psicologia Organizacional. Mestra em arte, dança e subjetivação pela Faculdade Angel Vianna. Coordenadora da Pós-graduação em Terapia pelo Movimento: corpo e subjetivação (abordagem Angel Vianna) e facilitadora de formação em Análise Transacional em Brasília desde 2011. Atua na prevenção do suicídio com base na AT.
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O Dia Internacional da Dança celebra esta arte ancestral e também nos lembra de seus impactos comprovados na saúde física e mental. A data convida à reflexão sobre o poder da dança como uma linguagem universal que conecta as pessoas à sua própria história, emoções e corpo, transcendendo fronteiras e promovendo união e liberdade de expressão. Trata-se de uma prática acessível a todas as idades e níveis de habilidade, podendo ser adaptada às necessidades e limitações de cada indivíduo.
Quando aplicada em contextos de saúde mental, a dança utiliza o corpo como via de acesso ao mundo subjetivo, revelando-se uma aliada poderosa em diferentes cenários – da reabilitação psicossocial ao cuidado com populações específicas. Uma clínica da corporeidade visa promover a integração emocional, cognitiva, física e social, tendo o movimento como eixo central do processo terapêutico. Essa abordagem focaliza micromovimentos e pequenas percepções que emergem na relação paciente-psicoterapeuta. Na maioria das vezes, esses processos são quase imperceptíveis, mas podem ser vislumbrados pela potência que desencadeiam, gerando um incessante contágio de afetos nessa interação. A proximidade entre os corpos capta tensões não ditas por meio de gestos, posturas ou mesmo de sintomas físicos.
Os efeitos da dança no bem-estar físico e mental vão muito além do prazer imediato; podem ser compreendidos tanto por suas bases neuroquímicas quanto por sua aplicação como ferramenta de cuidado e reintegração social. A eficácia da dança é respaldada por evidências científicas, com impactos que vão desde a neuroquímica até a vida social (Liberato & Dimenstein, 2009). Entre esses impactos, destacam-se: Regulação do humor e redução do estresse, mediadas pela liberação de neurotransmissores como endorfina (prazer), dopamina (motivação), serotonina (bem-estar) e ocitocina (vínculo social), ao mesmo tempo em que se reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Aumento da autoestima e da autoconsciência, pois dançar é um ato de escuta e expressão do próprio corpo, ampliando a consciência corporal e emocional. Fortalecimento da conexão social: dançar em grupo promove senso de pertencimento e vínculo. A sincronia do movimento estimula a empatia, a cooperação e a regulação emocional coletiva, sendo fundamental para o bem-estar mental e para superar a solidão e o isolamento. Acesso aos conteúdos da psique que podem ser difíceis de alcançar apenas pela fala. A dança permite que afetos, traumas e tensões encontrem expressão por via não verbal, transformando-os em experiência sensível e consciente.
Corporeidade e Análise Transacional
A Análise Transacional (AT) é uma psicologia humanista que, desde sua origem, reconheceu a comunicação corporal como fundamental, descrevendo uma “Transação” como qualquer movimento ou ação. Essa abertura torna a abordagem naturalmente permeável à integração com práticas corporais. Tal conexão pode ser compreendida por meio de pilares que se articulam organicamente.
Interseção Histórica e Teórica
Um marco histórico é o artigo “How to mix oil and water: Transactional analysis and dance/movement therapy” , publicado no American Journal of Dance Therapy em 1978 por Nancy Zenoff e Michael Matze, que propunha a integração das duas abordagens. Esse trabalho corajoso pavimentou o caminho para futuras investigações. Pesquisas contemporâneas seguem essa trilha, como o projeto de desenvolvimento profissional “Dialogue between Transactional Analysis and DMT: contributions of DMT to the Body Awareness of Transactional Analysis trainees” (2024), que busca incorporar a teoria dos Compulsores (Drivers) da Análise Transacional com conceitos da Dança-Movimento Terapia (DMT) e da Análise do Movimento de Laban como ferramenta de auto-observação.
Corpo e Estados do Ego: a Leitura do Movimento na Prática Clínica
O movimento corporal deixa de ser um detalhe periférico e torna-se um dado clínico central para a leitura e diagnóstico dos Estados do Ego, complementando a comunicação verbal:
- Pai: postura rígida, mãos nos quadris.
- Adulto: movimentos ponderados e atentos.
- Criança: agitação, encolhimento ou expansão lúdica.
A observação desses padrões corporais oferece uma rica camada de informação para: elaboração de Contratos Terapêuticos; compreensão dos estilos de troca de Carícias (busca ou esquiva de contato visual e físico, posturas de abertura ou fechamento na relação com o outro); identificação de Jogos Psicológicos (tensão que aumenta em certos momentos do encontro, ritmos de ataque e fuga ou de aproximação e afastamento).
Corporeidade e Scripts de Vida
A noção de “Moving Self” (Self em Movimento) postula que nossa sensação de identidade e vitalidade está intrinsecamente ligada à experiência de movimento. Assim, as decisões e crenças do Script de vida não estão apenas na mente, mas “escritas” e expressas no corpo. A clínica da corporeidade torna-se, então, uma ferramenta privilegiada para acessar, desconstruir e reescrever o Script. O trabalho terapêutico com a corporeidade pode facilitar o acesso ao que a AT chama de Cura Fisiológica do Script: uma liberação das tensões, estruturas corporais rígidas e restrições que inibem a pessoa de viver plenamente.
Referências para aprofundamento:
- Zenoff, N., & Matze, M. (1978). How to mix oil and water: Transactional analysis and dance/movement therapy. American Journal of Dance Therapy. — Um clássico sobre a integração das duas abordagens.
- Cornell, W. F. At the Interface of Transactional Analysis, Psychoanalysis, and Body Psychotherapy. — Obra contemporânea que situa a Análise Transacional no contexto mais amplo da psicoterapia corporal.
- Gowell, E. C. (1975). Transactional Analysis and the body: Sensory stimulation techniques. Transactional Analysis Journal. — Artigo que já abordava o corpo como expressão do estado de ego Criança.
- Tendas, S., & Bräuninger, I. (2024). Dialogue between Transactional Analysis and DMT: contributions of DMT to the Body Awareness of Transactional Analysis trainees. — Projeto atual que demonstra como a DMT pode ser usada para incorporar conceitos da AT na formação de terapeutas.
- Sandie, R. (2019). Hidden in Plain Sight: Spirituality in Transactional Analysis. Transactional Analysis Journal. — Explora o conceito de Moving Self e outras bases para a conexão corpo-mente na AT.
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AS MARAVILHAS DA CIÊNCIA
Japão aprova primeiro tratamento com células-tronco para Parkinson;
terapia pode chegar aos pacientes ainda este ano
Fonte original da matéria: 
- Japão aprovou o primeiro tratamento do mundo com células-tronco iPS para Parkinson, chamado Amchepry.
- A terapia implanta células que podem se transformar em neurônios produtores de dopamina, perdidos na doença.
- Em estudo da Universidade de Kyoto com 7 pacientes, o procedimento mostrou segurança e melhora de sintomas.
- O método usa células reprogramadas a partir de células adultas, tecnologia criada por Shinya Yamanaka, Nobel de Medicina de 2012.
- Tratamento recebeu aprovação condicional e pode começar a ser oferecido no Japão ainda em 2026.
O Japão aprovou um tratamento inovador contra a doença de Parkinson que utiliza células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro. A decisão foi anunciada no início do mês de março e abre caminho para que a terapia comece a ser oferecida a pacientes ainda em 2026.
Se chegar ao mercado, o produto deve se tornar o primeiro tratamento comercial do mundo baseado em células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS.
Células “rejuvenescidas” em laboratório
As células iPS são obtidas a partir de células adultas do próprio organismo — como células da pele — que passam por um processo de reprogramação genética para retornar a um estado semelhante ao de células embrionárias.
A partir daí, elas podem ser transformadas em diferentes tipos de células do corpo.
Essa tecnologia foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012.
No caso do novo tratamento, as células iPS são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina — substância química essencial para o controle dos movimentos.
Na doença de Parkinson, esses neurônios são progressivamente destruídos, o que leva a sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos.
Além disso, o Ministério da Saúde japonês também autorizou outra terapia decorrente da pesquisa que consiste em lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório, que podem ser aplicadas sobre o coração para estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a função cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca grave. Também deve chegar ao mercado este ano."
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Por isso, é fundamental que o país invista em pesquisas científicas e valorize seus pesquisadores, para que permaneçam aqui e não precisem buscar, no exterior, o reconhecimento e as oportunidades que muitas vezes lhes faltam - evitando, assim, a saída de talentos do território nacional, como tantas outras vezes já aconteceu.
- Comentário da Diretoria de Comunicação |
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E por falar em valorizar nossas produções nacionais... |
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A minissérie brasileira Emergência Radioativa atingiu o top 1 global da Netflix em março de 2026, destacando-se como a série mais assistida no mundo na época, tanto em língua inglesa quanto não inglesa.
A trama narra o desastre com Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987.
Mais uma vez, uma história brasileira atravessando fronteiras e ganhando o mundo.
E o mais importante: a série contribuiu para ampliar o auxílio às vítimas, que sofrem até hoje com as consequências do desastre.
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...Mas, além de valorizar, podemos também nos perguntar:
Vem com a gente no texto a seguir!
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O RISCO DE QUADROS DE
REFERÊNCIA ESTRATIFICADOS
Por ANA LAURA RODOVALHO - Comissão da Diretoria de comunicação
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Dia 26 de abril é o dia marcado pela Memória ao Desastre de Chernobyl — um evento que ultrapassou fronteiras geográficas e psíquicas. Não foi apenas uma explosão nuclear, mas algo que reverberou globalmente, instaurando medo, desconfiança e um tipo de trauma coletivo que atravessou culturas, relações e gerações.
E, embora pareça distante geograficamente de nós, tivemos bem aqui dentro do nosso país um outro acidente horrível de radiação: o Acidente radiológico de Goiânia.
Nesse acidente, múltiplos responsáveis falharam: a empresa de radiologia foi extremamente negligente no descarte do aparelho que continha Césio-137, os órgãos não fizeram seu trabalho correto de fiscalização e os donos do terreno falharam em proteger o espaço, possibilitando que qualquer pessoa entrasse. Isso tudo somado a uma população desinformada, culminou na exposição de pessoas à radiação, por mais de 10 dias sem saber. Algo inédito até então.
Mas o que mais marca esse episódio não é só o evento — é o que ele revela sobre o funcionamento psíquico diante do desconhecido.
Como não havia, dentro do Aparato Psíquico daquelas pessoas, a possibilidade de reconhecer aquele pó como perigoso, ele não existia como ameaça simbolizada. Em verdade ele foi visto como possibilidade de ajuda e alcance dos desejos de crescimento na vida daquelas pessoas.
Mesmo diante do adoecimento progressivo, houve dificuldade em qualificar a relação entre o pó e o sofrimento vivido — especialmente para quem levou o material para dentro de casa. Reconhecer isso implicaria lidar com uma realidade psíquica muito difícil. Quem conseguiu qualificar o problema e agir foi Maria Gabriela Ferreira, um exemplo para todos nós, de coragem e Adulto com bons limites.
E mesmo depois de qualificado o problema e acionadas as autoridades, vivências anteriores de preconceito, especialmente em relação à polícia, influenciam diretamente a leitura da realidade, impedindo os principais afetados de entender e lidar com o perigo. O que vinha como alerta não é plenamente integrado.
E aí entra a Ressignificação: a experiência é reinterpretada para caber no que já é conhecido. Aquilo que poderia ser reconhecido como ameaça passa a ser filtrado por referências anteriores — desconfiança, desigualdade, busca por reconhecimento — alterando o sentido do que está acontecendo.
Muitos outros momentos dessa história explicam um fenômeno importantíssimo: o Estado de Ego Adulto da população encontrava contaminado e com dificuldade para se estruturar. Muitos cenários mostram um Adulto contaminado — atravessado por conteúdos prévios, crenças, preconceitos e medo.
Isso teve efeitos concretos: resistência às orientações, dificuldade de adesão às medidas de contenção e até afastamento de profissionais de saúde, também impactados pelo medo e pela falta de conhecimento.
O medo é uma emoção legítima. Mas, quando intenso e somado à falta de informação, pode comprometer o acesso ao Adulto — especialmente quando há Contaminação e pouca base para elaboração.
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UM OLHAR SOBRE A SÉRIE FALANDO A REAL
Por: Anna Fonseca - aluna de AT202
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A série Falando a Real (Shrinking – Apple TV) oferece um terreno fértil para a análise das dinâmicas relacionais sob a ótica da Análise Transacional (AT). Ao acompanhar a trajetória de Jimmy (Jason Segel), um terapeuta em luto que decide romper com as convenções tradicionais da prática clínica, a narrativa expõe, com sensibilidade e humor, os Jogos Psicológicos, os Estados do Ego e, especialmente, os dilemas éticos que atravessam o fazer terapêutico.
Um dos elementos centrais da série é a oscilação de Jimmy entre os Estados do Ego Pai, Adulto e Criança. Em diversos momentos, sua conduta impulsiva e pouco filtrada revela uma predominância do Estado do Ego Criança, especialmente quando ele passa a dizer exatamente o que pensa aos seus pacientes, sem filtro.
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Essa postura traz por vezes avanços e em outros momentos entraves e problemas terapêuticos, e esse movimento parece levantar um dilema importante para psicoterapeutas clínicos: até onde devo me expor? Será que estou me expondo demais ou na verdade devo ser mais aberto sobre mim na clínica com meus pacientes?
A relação de Jimmy com sua filha Alice ilustra de maneira contundente os impactos das Posições Existenciais e dos Scripts de Vida. Após a perda da esposa, Jimmy mergulha em um afastamento emocional, delegando, ainda que implicitamente, funções parentais a terceiros (como com a sua vizinha, por exemplo). Alice, por sua vez, transita entre a adaptação e a rebeldia, revelando um possível conflito entre os Estados do Ego Criança Adaptada e Criança Rebelde. A dificuldade de Jimmy em ocupar um lugar consistente de Pai Nutritivo evidencia uma ruptura no vínculo, que só começa a ser reparada quando ele se permite acessar sua vulnerabilidade e reconstruir o contato Autêntico com a filha.
Outro eixo relevante é a relação entre Jimmy e Paul (interpretado por Harrison Ford), seu colega mais experiente. Paul representa, em muitos aspectos, uma função de Pai Crítico e, progressivamente, de Pai Nutritivo. A tensão entre eles revela não apenas diferenças de abordagem terapêutica, mas também Jogos de Poder em que validação, reconhecimento e autoridade estão em disputa.
Sob a lente da AT, é possível identificar momentos em que a comunicação entre eles se dá de forma Cruzada, gerando ruídos e conflitos, e outros em que há uma comunicação Complementar que favorece o crescimento mútuo.
A série também explicita diversos Jogos Psicológicos clássicos descritos por Eric Berne. Pacientes que se colocam em posições de Vítima, buscando confirmação de suas crenças limitantes, ou que testam os limites do terapeuta, convidam Jimmy a entrar em Jogos como “Veja o que você me fez fazer” ou “Por que isso sempre acontece comigo?”. A escolha de Jimmy por respostas mais diretas, ainda que disruptivas, pode ser vista como uma tentativa, nem sempre bem-sucedida, de interromper esses Jogos e promover uma maior consciência – e aí fica a dúvida: será que se ele conhecesse a Análise Transacional, teria mais sucesso em suas intervenções?
Por fim, “Falando a Real” destaca um ponto essencial: o quanto estamos sempre implicados nas relações. Nenhum vínculo é neutro, e a série propõe isso quando demonstra como histórias, dores e roteiros individuais influenciam diretamente a forma como nos conectamos com o outro. Ao expor terapeutas como seres humanos imperfeitos, a narrativa convida à reflexão sobre autenticidade, limites e responsabilidade relacional na clínica.
Sob a perspectiva da Análise Transacional, a série não apenas entretém, mas também provoca um olhar mais atento e crítico sobre como nos posicionamos nas relações. E, para nós analistas transacionais, talvez também nos convide a acreditar que a consciência dos Estados do Ego, dos Jogos Psicológicos e outros conceitos poderiam ser um caminho potente para relações mais saudáveis, autênticas e responsáveis nas histórias contadas.
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01 ABRIL
Aymée Fávaro Cineiro
02 ABRIL
Luiz Antonio Tiradentes
04 ABRIL
Patricia Guterres Bandeira Nogueira
05 ABRIL
Sandra Cairo de Oliveira Amaral
Ana Paula Pereira dos Santos
06 ABRIL
João Pedro Guimarães Aversa
07 ABRIL
Gizelli Xavier de Carvalho
08 ABRIL
Maurício de Oliveira
Fabiane Ninoff Monges
10 ABRIL
Andrea Maria Girotto
Laura Borges Azambuja
Aline Knevitz Lippert
12 ABRIL
Fabrizia Rossetti
Débora Tatiana de Medeiros
13 ABRIL
Ila Barbosa Bittencourt
14 ABRIL
Luiz Eduardo de Bastos Neder
Elisabeth Heinzelmann
Lucas Silva Martins |
16 ABRIL
Fabiana Garcez
18 ABRIL
Débora Marcolino Ferrari
19 ABRIL
Sheila Gomes de Barros
Loeci Maria Pagano Galli
20 ABRIL
Marklene Amorim dos Santos
21 ABRIL
Giuliana Costa Moreira Moutela
Saburo Okada
23 ABRIL
Andressa Borges Machado
Marília Márcia Santos Pereira
Karine Ferreira Santos Mendonça
25 ABRIL
Rosane Bonessi Dias
Thais Defensor Santos
Elionai Santos Cardoso
Denise Rochael
Auzean Lucena da Silva
27 ABRIL
Marco Ricardi de Abreu
29 ABRIL
Ana Cicília Ribeiro Siqueira
30 ABRIL
Adevanilde da Silva Rodrigues
Klézia Daiane Antunes Souza
Ketty Regina Lacombe Klingelfus |
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EXPEDIENTE
Opções é a newsletter mensal da União Nacional dos Analistas Transacionais (www.unat.org.br).
Comissão de Comunicação da UNAT-Brasil, composta por: Aymée Fávaro, Leilane Nascimento e Ana Laura Rodovalho.
Diretora responsável: Adriana Montheiro.
Diagramação: Inova+Digital e RaioZ.
Você pode enviar sua sugestão de pauta até o dia 15 de cada mês para o e-mail comunicacao@unat.org.br.
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