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Opções News - Newsletter da UNAT-Brasil - Fevereiro
 

"Olá, companheiros de jornada!

Nesta edição, celebramos nossos novos certificados, refletimos sobre o que significa ser gaúcho, cuidamos da nossa criança interna com a simbologia de Cosme e Damião, e também trazemos à tona reflexões importantes sobre tecnologia, relacionamentos e saúde mental. Além disso, vamos conhecer um pouco mais da nossa querida secretária e refletir sobre a importância da música e do pensamento crítico.

Você tem ideia de como trabalhar com AT e uma pessoa com deficiência auditiva? E sabia que 26 de setembro é o dia mundial do mar?

Trazemos à tona a importância de resgatar o espírito socrático em tempos de tanta repetição e pouca reflexão. Celebrar figuras como Sócrates é lembrar que a educação deve ser uma ferramenta de questionamento, não de imposição. E, ao mesmo tempo, quando falamos de celebrar datas como o Dia do Gaúcho ou o Dia de Cosme e Damião, estamos honrando a diversidade que compõe a nossa identidade brasileira. É uma forma de mostrar o valor das nossas culturas e raízes, celebrando o que nos torna quem somos.

Nas voltas que o mundo dá, estamos frente a frente com um tema que movimenta as redes; relacionamento humano, versus tecnologia. Está no CONBRAT e na seríssima questão da adolescente que se suicidou após fazer “terapia” com o chat GPT. Leia na coluna REFLEXÕES TRANSACIONAIS”

Adriana Montheiro – Diretora de Comunicação

MD Psicoterapia

Rio de Janeiro - setembro - 2025

Colegas membros da comunidade da Análise Transacional,

É com um sentimento de profunda gratidão e inabalável admiração que me dirijo a todos vocês, após a notável e exitosa conclusão das intensas bancas da 2ª Fase da Certificação e das avaliações para Membro Didata.

A realização dessas importantes avaliações, incluindo a 2ª Fase da Certificação e as bancas para Membro Didata, demandou um comprometimento notável. Ao longo de intensos dias de trabalho – que se estenderam da sexta-feira ao domingo –, muitos profissionais dedicaram seu tempo e energia, renunciando a seu merecido descanso e de momentos pessoais, em prol do aprimoramento e da solidez de nossa associação.

Contudo, o que presenciamos superou a simples dedicação de horas. Foi a manifestação de um trabalho impecável, caracterizado por uma condução afetuosa, carinho genuíno, uma postura acolhedora e um profundo respeito por cada candidato. Os avaliadores não se limitaram a julgar o desempenho; eles guiaram, inspiraram e, acima de tudo, proporcionaram um ambiente seguro e propício para que cada participante pudesse entregar o seu melhor. A qualidade e a humanidade com que cada etapa foi conduzida são verdadeiramente exemplares, refletindo os mais altos valores e a ética da Análise Transacional.

É com imensa alegria que celebramos a conquista dos nossos novos Membros Certificados nas áreas de Psicoterapia, Organizacional e Educacional. Este é o fechamento de um ciclo de muitos desafios e o início de uma nova e promissora etapa. Sabemos o quanto essa jornada foi de intenso estudo, práticas incansáveis, supervisões transformadoras, orientações precisas e, acima de tudo, de uma dedicação inabalável.

Acompanhe a performance de nossos Treinandos nas diversas áreas de atuação, com o resultado final de suas avaliações:

Neste momento de celebração e reconhecimento, é imperativo estender nossa mais profunda gratidão aos valorosos orientadores. Foi a sua inesgotável amorosidade e paciência que guiaram cada candidato ao longo desta jornada, oferecendo o suporte essencial, a sabedoria perspicaz e a segurança indispensável para que pudessem alcançar este patamar de excelência. Sua dedicação inestimável constitui, inquestionavelmente, a base sólida sobre a qual todas essas notáveis conquistas foram edificadas.

Com inegável entusiasmo e profundo respeito, dirijo-me às nossas valorosas e recém-certificadas Membros Didatas. Sua notável coragem e a inestimável generosidade ao abraçarem este novo e significativo marco profissional são dignas de toda a nossa admiração. Elas representam, de fato, os alicerces fundamentais para o desenvolvimento contínuo e a consolidação de uma UNAT cada vez mais forte, inovadora e em constante ascensão. Sua dedicação é essencial para delinear o futuro da Análise Transacional no Brasil, garantindo a perenidade e a excelência de nossa formação.

As bancas que avaliaram esses futuros, e agora já Membros Didatas, tiveram a seguinte composição:

Como Diretor de Docência e Certificação da UNAT-Brasil, não tenho palavras para expressar o quanto estou agradecido e profundamente orgulhoso de tê-los como colegas, analistas transacionais. A contribuição de cada um de vocês é inestimável e fundamental para o fortalecimento da nossa associação.

Muito obrigado por fazerem a diferença!
Com o mais sincero respeito e admiração,

José Silveira Passos
Diretor de Docência e Certificação

A trigésima edição do CONBRAT será realizada presencialmente no Rio de Janeiro, nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2025. O evento propiciará um fórum para a discussão de temas relevantes, a apresentação de palestras, workshop e mesas redondas e o intercâmbio técnico-científico entre os participantes.

Informamos que o volume de vagas remanescentes para participação no congresso é limitado. Associados interessados em assegurar sua presença são aconselhados a formalizar sua inscrição prontamente, antecipando a garantia de sua vaga.

José Silveira Passos – MD
Presidente do 30º. CONBRAT

No dia 30 de setembro celebramos o Dia da Secretária, uma data que nos convida a olhar com carinho e gratidão para a dedicação de tantas profissionais que, com organização, sensibilidade e empenho, sustentam o funcionamento das instituições.

Para marcar esta ocasião, a Equipe da Diretoria de comunicação da UNAT teve um bate-papo bacana com Andrea Gava, secretária da UNAT-Brasil há dois anos e meio, que se tornou peça fundamental na vida dos associados. A seguir, compartilhamos alguns trechos dessa conversa, que revelam não apenas os desafios da função, mas também a beleza e o sentido de estar a serviço de tantas pessoas.

Quando perguntamos como foi que ela chegou até a UNAT, Andrea nos contou que foi apresentada à instituição por sua cunhada, que já era associada. “Ela comentou sobre uma oportunidade e eu me interessei. Desde então, mergulhei nessa experiência cheia de aprendizados.”

Também nos interessamos em saber como tem sido sua trajetória até aqui. Andrea destacou que existem “dores” e “delícias”. Entre os desafios, mencionou a rotina intensa, os prazos curtos e a multiplicidade de tarefas que exigem paciência, jogo de cintura e muita atenção aos detalhes. Por outro lado, ela sorri ao falar das conquistas: “É gratificante saber que estou contribuindo diretamente para o bom funcionamento da instituição e para o atendimento aos associados. Cada atendimento tem sua particularidade, e isso torna o trabalho vivo e significativo.”

Ao ser questionada sobre o que mais gosta em sua função, Andrea respondeu sem hesitar: “O atendimento ao associado! Gosto de ouvir, de ajudar, de esclarecer dúvidas e resolver pendências. É muito gratificante quando a pessoa fica satisfeita com o atendimento e percebe que é valorizada.”

Outro momento da entrevista trouxe à tona as memórias mais marcantes. Andrea lembrou com carinho do processo de escolha, transferência e organização do novo espaço da secretaria: “Foi um desafio, mas também uma grande conquista, feita com muito cuidado e dedicação por todos os envolvidos.”

Sobre sua responsabilidade na UNAT, ela explicou que vai muito além do primeiro contato com os associados. Além de orientar, resolver pendências e responder dúvidas, Andrea também atua nos processos administrativos e financeiros, estando sempre disponível pelos canais oficiais da instituição.

Pedimos, por fim, uma mensagem para as colegas secretárias, e Andrea deixou um recado inspirador: “Somos o primeiro contato, o suporte e o que facilita os caminhos. Precisamos de dedicação, paciência, empatia e atenção aos detalhes, assim os processos fluirão com mais cuidado e eficiência. Parabéns pelo dia!”

Celebrar o Dia da Secretária na UNAT é também reconhecer o valor das relações humanas que sustentam uma instituição. Esta matéria é, em si, uma forma de oferecer uma Carícia positiva de reconhecimento ao trabalho da Andrea por todos esses anos, valorizando sua dedicação e presença cotidiana.

Ao mesmo tempo, ela nos lembra da importância da Oqueidade: reconhecer cada pessoa pelo que é, em sua singularidade, em todos os âmbitos da instituição - inclusive na secretaria, que é o primeiro ponto de contato com os associados e uma base essencial para que tudo aconteça. Assim, ao celebrarmos esta data, reafirmamos o compromisso da UNAT com uma convivência em que todos possam se sentir vistos, acolhidos e reconhecidos.

Nós, da Equipe Diretoria de Comunicação, agradecemos imensamente e em nome da comunidade UNAT-Brasil, por seu profissionalismo, cordialidade, dedicação e cuidado no que faz. Sua eficiência é essencial para o nosso sucesso.

Gratidão e parabéns pelo seu dia, Andrea!

Olá, sou Andrea Gava, secretária da UNAT-Brasil. Tenho 54 anos, nasci em Curitiba (PR) e sou formada em Ciências Econômicas pela UFPR. Embora minha formação seja na área econômica, sempre fui apaixonada por história, assim sendo, viajar é uma das minhas maiores alegrias! Acredito que cada lugar tem algo a ensinar, e que toda viagem é uma oportunidade de aprendizado e enriquecimento pessoal.

Tenho também um grande carinho pelos animais e vejo, na convivência com eles, uma forma de tornar a vida mais leve. Para mim, são companheiros que nos ensinam sobre cuidado, empatia e respeito à natureza.

Comecei a trabalhar cedo e, ao longo da minha trajetória profissional, tive a oportunidade de atuar em empresas nacionais e multinacionais, o que me trouxe uma visão ampla de negócios e me ajudou a desenvolver a habilidade para trabalhar em diferentes funções.

Valorizo o cuidado com os detalhes, tanto na execução do trabalho quanto na forma como me relaciono. Gosto de colaborar, ajudando quando posso e aprendendo sempre que tenho a oportunidade. Acredito que crescer profissionalmente é também crescer como pessoa.

Uma súplica pedagógica pela reinvenção do pensamento crítico na educação contemporânea

Alberto Jorge Close
Vice presidente UNAT-Brasil
Didata Especial UNAT, ALAT e TSTA da ITAA.

O título deste artigo é uma provocação e uma súplica: “Sócrates, volte: te perdoamos e precisamos de ti.” Em um tempo em que se valoriza mais a repetição do que a reflexão, o acúmulo do que o sentido, parece urgente clamar pelo retorno de quem ensinou o mundo a pensar.
Sócrates não deixou escritos, mas deixou inquietações. Não entregou respostas prontas, mas fez das perguntas uma arte. Sua morte não foi apenas um erro da história: foi um reflexo do medo ao pensamento livre. Hoje, porém, o que nos assombra não é o excesso de perguntas, mas a ausência delas.

A morte do diálogo e o silêncio nas escolas
A condenação de Sócrates simbolizou o início de uma longa tradição de aversão ao pensamento crítico. Com sua morte, triunfaram a conveniência sobre a consciência, a ordem sobre o questionamento, a obediência sobre a sabedoria.
A partir de então, a educação foi usada como instrumento de imposição ideológica, política e religiosa. A escola, que poderia ser espaço de emancipação, tornou-se muitas vezes campo de doutrinação. O saber passou a ser algo a ser transmitido e controlado, e não descoberto.
No lugar da escuta, estabeleceu-se a imposição de verdades. A dúvida, tão essencial ao saber, foi marginalizada. O pensamento crítico cedeu espaço à repetição de fórmulas. O silêncio do pensamento foi imposto pelo ruído das certezas prontas.

O método socrático como prática pedagógica
O método socrático baseia-se em dois movimentos complementares:

  • Ironia, que consiste em desmascarar a falsa certeza do outro através de perguntas simples e diretas, levando à conscientização da própria ignorância;
  • Maiêutica, que consiste em fazer emergir o saber interno do interlocutor, como um parto intelectual.

Essa abordagem contrasta com o modelo “bancário” criticado por Paulo Freire (1987), no qual o professor “deposita” conhecimentos em mentes consideradas vazias. Sócrates via no mestre não o dono do saber, mas o facilitador do autoconhecimento.

Sócrates e a formação humana
Sócrates não ensinava conteúdos técnicos, mas práticas de vida. Sua educação era voltada à formação ética, relacional e existencial. Ele questionava o sentido da justiça, da coragem, da verdade – não como conceitos abstratos, mas como escolhas humanas cotidianas.
A ausência do pensamento socrático nas escolas forma sujeitos preparados no técnico, e despreparados  no emocional e ético. Incapazes de reflexão crítica, tornam-se vulneráveis à manipulação, à intolerância e à alienação.

As consequências históricas da educação ideológica
A rejeição de Sócrates inaugurou uma tendência histórica: a utilização da educação como ferramenta de conformismo. Na Antiguidade, o ensino foi controlado por interesses do Estado e da religião. Na Idade Média, subordinado à teologia. No século XIX, serviu aos projetos nacionalistas e industriais. No século XX, foi cooptado por regimes totalitários para formação de massas obedientes.
Mesmo nas democracias modernas, a escola continua sendo território de disputa ideológica disfarçada de neutralidade. Currículos centralizados, avaliações padronizadas e repressão ao pensamento divergente mostram que a figura de Sócrates ainda incomoda. Sua ausência não é esquecida: é mantida como estratégia.

Sócrates hoje: insubmisso, necessário, vivo
Se Sócrates voltasse hoje, talvez fosse ignorado por algoritmos, suspenso por diretores, silenciado por pais e alunos cansados de pensar. Mas também encontraria aliados: professores inquietos, estudantes atentos, espaços alternativos que resistem à pasteurização do saber.
Sócrates vive na dúvida bem colocada, na escuta generosa, na aula que se transforma em encontro. Sua presença se atualiza onde o conhecimento não é um fim, mas uma travessia.

“Sócrates, volte: te perdoamos e precisamos de ti.”
Não para repetir teus métodos, mas para recuperar tua coragem.
Não para ensinar fórmulas, mas para cultivar sabedoria.
Não para impor verdades, mas para abrir perguntas.
Perdoamos não apenas por termos te condenado, mas por termos te esquecido. Por termos substituído tua busca pelo saber por certezas vendidas como produtos. Por termos deixado que a escola se tornasse um lugar de adaptação, e não de transformação.
Precisamos de ti agora mais do que nunca – não como mito, mas como modelo. Não como estátua, mas como atitude. Que tua ausência nos ensine o valor da presença do pensamento.

Referências:
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
ILLICH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1971. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.
NÓVOA, António. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa: Educa, 1995.
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Diversas edições.

por Maria Clara Ramos Grochot
Psicóloga (CRP 07/1648) graduada pela PUC/RS em 1980. Psicoterapeuta, Especialista em Análise Transacional pela Faculdade JK/UNAT- BRASIL. - Especialização em Hipnose Clínica Eriksoriana / Clássica pelo Instituto Milton Erikson Brasil-Sul/POA. Membro Didata em Formação na área da Psicoterapia. Membro do Conselho Deliberativo- gestão 2022-2025 e Membro da Comissão de Ética- gestão 2023-2026.

Dia 20 de Setembro, conhecido como o Dia do Gaúcho, é feriado no Estado do Rio Grande do Sul.  A data recorda o dia em que teve início a Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, que ocorreu em 1835. Assim, o Dia do Gaúcho consiste numa homenagem a um dos episódios históricos mais importantes para a comunidade gaúcha.

A data é uma celebração da identidade, cultura e tradição do Rio Grande do Sul, marcada por desfiles, festas culturais e a valorização dos costumes e tradições gaúchas, que se inserem na Semana Farroupilha.

Ser gaúcho é pertencer a uma identidade cultural marcada pelo chimarrão, o churrasco, a música tradicionalista, o uso da pilcha, a dança e as festas, valores esses mantidos pelos CTGs - Centro de Tradições Gaúchas, dedicado a preservar e divulgar a cultura e os costumes do Rio Grande do Sul. Historicamente, o gaúcho foi o homem do pampa, ligado à lida com o gado e ao cavalo.

O gaúcho é associado com características como hospitalidade, coragem, amizade, lealdade, amor pela liberdade e apego às raízes.
O Hino Rio-Grandense é cantado pelos gaúchos com muito orgulho e com a mão no coração. É muito mais do que uma canção oficial. Se tu não conheces a letra, vale à pena pesquisar. Ele nos lembra da coragem dos antepassados, do valor da liberdade e do orgulho de ser gaúcho. Cada vez que cantamos, renovamos nossa tradição e nossa identidade.

Assim como a música nativista e a poesia campeira, o “ bah” e outras expressões marcam a linguagem típica.
O “bah” é uma das expressões mais marcantes do jeito de falar gaúcho. Ele não tem um único significado - depende muito do tom, da situação e da emoção de quem fala. É uma palavra que pode expressar surpresa, admiração, frustração, raiva ou simplesmente dar ênfase - e, acima de tudo, é um símbolo da fala gaúcha.

1 - Surpresa ou espanto: “Bah, não acredito nisso!” (nossa)
2 - “Bah, que churrasco bom!” (incrível)
3 - “Bah, que pena que choveu.” (puxa vida)
4 - “Bah, que coisa feia!” (ora, veja só)

Para além do “bah”, os gaúchos usam muitas outras expressões, como o “tchê” para chamar a atenção ou se referir a alguém, “barbaridade” para expressar surpresa ou admiração, “tri” para intensificar algo (muito legal), “capaz” como interjeição de negação ou surpresa e “guri” ou “guria” para se referir a menino ou menina, respectivamente.

O que o Gaúcho diz depois de dizer "Olá!"?
Seja bem-vindo, tchê! Nesta querência sempre há lugar pra mais um amigo!
Aqui a casa é simples, mas o coração é grande e o chimarrão esquenta a alma e sempre está pronto para ser compartilhado!
“Bah, que alegria te receber! Sinta-se em casa, que aqui a amizade, a liberdade e a tradição se façam presentes em cada gesto e cada palavra!

Com carinho, da gaúcha Maria Clara.

 

por Tânia Elizabeth Caetano Alves
Médica, Membro Didata em Formação pela UNAT-BRASIL na área da Psicoterapia e Membro Certificado na área das Ciências da Saúde. Especialista em Análise Transacional. Coautora do livro “Das Emoções aos Sentimentos - Construindo um caminho com coração”. Facilitadora do Jogo da Transformação, credenciada pela INNERLINKS, Inc. Atua como psicoterapeuta e facilitadora de cursos e workshops.

Fiquei meio atucanada quando a Adriana pediu um  texto  sobre o 20 de setembro.  Dia de cantar o nosso hino e de lembrar da Guerra dos Farrapos. Bah, já cantei o hino gaúcho com a mão no coração, muitas vezes e com muito gosto.

Mas andei uns tempos aperreada, meio sem graça de cantar “as nossas façanhas” quando refleti mais sobre elas. Tem coisa que aperta o peito, tchê. A gente cresceu ouvindo que a Guerra dos Farrapos foi por liberdade, por justiça, por um ideal. E até que meio foi. Mas com o tempo, a ilusão foi se desmanchando que nem polenta mole. O que era pra ser revolução, virou lembrança meio romantizada, varrendo coisas feias prá debaixo do tapete.  Hoje em dia, nosso estado está sofrido e com ares reacionários. E, às vezes, falta esperança. Mas tem uma coisa que a gente daqui não faz: a gente não desiste! E foi assim na enchente do ano passado, quando a água levou casa, levou história, levou chão.

A nossa força se revelou ali, não na lança ou na bandeira ou na glória do passado, mas na mão estendida, nos nossos guris que foram pra dentro do rio, antes que o tal  “poder público” se desse conta do que estava acontecendo, foram pra dentro do rio prá tirar da enchente a nossa gente.

Nossa façanha maior se revelou quando nós, gaúchos anônimos, fomos acolher o pessoal molhado e com medo, na chegada dos botes, levar comida pros acampamentos, compartilhar água potável, roupa e cobertor e levar pra casa quem tinha perdido a sua. 

É este Rio Grande do Sul que eu quero honrar na Semana Farroupilha. Feito de gente que se deu as mãos, de noite, no escuro e fez uma corrente pra que os barcos com os resgatados chegassem até o seco em segurança.
É deste ser gaúcho que eu me orgulho, do gaúcho que brada: Conta comigo, vivente! Porque não soltar a mão de ninguém é que é revolucionário. De ninguém, muito menos do Caramelo, pingo forte e corajoso que foi o símbolo da nossa resiliência e solidariedade.

E daí surge de novo uma vontade emocionada de cantar o hino com a mão no coração e com os olhos marejados, pra honrar a minha terra. Que não falte mate, abraço e esperança a todos que estiveram conosco na hora do entrevero.

Tamo junto, tchê!

Na edição do Opções de Setembro de 2024, nós, da equipe Diretoria de Comunicação, trouxemos um convite à reflexão, inspirado na chegada da Primavera: já pensou com cuidado e atenção que “flores” você quer plantar e cultivar no seu jardim interno? Você pode conferir o texto completo clicando aqui.

Um ano depois, recebemos mais uma Primavera. E aí, como você cuidou de seu jardim interno durante esse período? Achamos interessante dar continuidade à essa ação tão simbólica.

 

Em meio à rotina acelerada e às exigências da vida adulta, muitas vezes perdemos o contato com aspectos fundamentais da nossa personalidade, como a leveza, a criatividade e a espontaneidade.

Berne conceituou tais qualidades como parte do Estado do Ego conhecido como Criança Livre — uma dimensão interna que representa nossa capacidade de brincar, sentir e viver de forma autêntica. Desejo convidar ao paralelo com a tradição popular brasileira: a celebração do Dia de São Cosme e São Damião, marcada por doces, festas e alegria infantil.

Comemorado em 27 de setembro, a data transcende a distribuição de guloseimas, sendo uma data repleta de simbolismo.

A comemoração é significativa não apenas para os católicos, mas também para os adeptos das religiões de matriz afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda. Ambas as tradições reforçam a importância de cuidar e proteger os pequenos, tanto física quanto espiritualmente, com rituais que honram os princípios da alegria, união e equilíbrio.

Em AT, a Criança Livre se expressa com liberdade, emoção e criatividade, sem as amarras do julgamento ou da rigidez social. Sendo assim, essencial para uma vida emocionalmente saudável, pois permite conexões genuínas, prazer nas pequenas coisas e uma visão mais leve do cotidiano. Olhando para a pluralidade do povo brasileiro, de muita fé e naturalmente espiritualizado, São Cosme e São Damião estão intimamente associados às crianças e representam a pureza, a alegria, a energia vital da infância.

Essa celebração funciona como um momento de reconexão coletiva com a nossa Criança Livre. A prática de distribuir doces nesse dia reforça o simbolismo da doçura e da generosidade, ao sorrir e ao se permitir participar da festividade, os adultos revivem emoções autênticas e experimentam uma pausa nas tensões do cotidiano. É uma forma simbólica de lembrar que a saúde mental também passa pela capacidade de sentir prazer, de se emocionar e de vivenciar a vida com mais espontaneidade — elementos centrais no pensamento de Berne.

Dessa forma, a Análise Transacional e a tradição popular — o conceito de Criança Livre, de Eric Berne, e a celebração de São Cosme e São Damião — podem se complementar ao valorizar a infância como símbolo de saúde emocional, autenticidade e alegria. Ao celebrar essa data, somos convidados não apenas a homenagear os santos ou distribuir doces, mas também a resgatar, dentro de nós, a criança que sente, sonha e vive com liberdade. Em tempos marcados pela rigidez, excesso de telas e controle, reencontrar essa parte de nós pode ser um verdadeiro ato de cura.

por Leilane de Fátima Silva do Nascimento
Psicóloga CRP 05/48966
Analista Transacional – Certificada em Psicoterapia

O movimento do Setembro Amarelo teve início em 2015 no Brasil e tem o objetivo de abordar o tema do suicídio de forma clara, objetiva e preventiva. A campanha se originou nos Estados Unidos em 1994 e foi criada após a morte de um jovem de 17 anos devido ao suicídio.

A partir da história de vida do jovem norte americano, podemos refletir sobre a necessidade de falar sobre saúde mental. Segundo pesquisa mais detalhada do caso, sua família não tinha conhecimento sobre a sua condição emocional. Nesse sentido, nos cabe refletir: será que estamos atentos aos nossos núcleos sociais, como familiares, amigos e colegas de trabalho?

A campanha vem exercendo um papel significativo nas redes sociais, apresentando conteúdos que registram a importância de pedir ajuda e falar sobre as próprias emoções. O movimento também está associado ao Centro de Valorização da Vida (CVV), uma Organização não governamental que conta com uma equipe de voluntários, atuantes nos chats e canal telefônico, número 188.

Considerando o contexto brasileiro, atualmente existem inúmeras questões que implicam nas condições psicológicas da população. Fatores sociais e econômicos, como: alimentação precária, moradia inadequada, falta de saneamento básico e dificuldades para acesso a saúde de qualidade, impactam diretamente nas condições emocionais da população brasileira, especialmente no caso do alcoolismo, diagnóstico mais presente em homens, influenciando diretamente ao suicídio.

Considerando outro ponto de vista, é possível refletir sobre a estrutura familiar de muitas pessoas que se desenvolvem sem um vínculo sadio e adequado, uma Simbiose Saudável com seus cuidadores. Escrevo aqui também sobre famílias com condições financeiras elevadas, mas com pouco repertório no sentido emocional para o desenvolvimento dos seus jovens.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é uma das principais causas de morte dos jovens em diversos países e suas condições sociais diferentes. Como psicóloga clínica e Analista Transacional, certificada em Psicoterapia, penso que é válido reafirmar o que Eric Berne registrou sobre a importância dos fatores sociais e familiares que implicam o Script de Vida.

Como Analistas Transacionais, acredito que o conceito da PHYSIS nos convida a ter fé na pessoa que chega, que se encontra na empresa, escola ou espaço de saúde. Nesse sentido, é necessário registrar que ao falar sobre o suicídio, precisamos ter cuidado com determinadas crenças e falas Contaminadas sobre o tema. Dizer que pessoas que pensam no suicídio não avisam sobre suas expectativas ou que o suicídio só ocorre em determinado grupo social é inadequado.

Nesse sentido, convido o leitor para divulgar em suas redes sociais, digitais e físicas, sobre a campanha do Setembro Amarelo. A campanha realizada nas mídias pode fortalecer ainda mais o tema sobre Saúde Mental. Considerar a possibilidade de mudar o Script cultural da população me gera esperança.

Acredito que quando outras pessoas, além dos profissionais de saúde e gestão das organizações, se empenham para falar mais de um tema, podemos nos comunicar de um lugar Adulto e sem mensagens Ulteriores. Falar sobre os temas da Saúde Mental e o Suicídio são tão importantes quanto falar sobre questões fisiológicas.

Fontes:
who.int/es/news-room/fact-sheets/detail/suicide
cvv.org.br
setembroamarelo.com
gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/anualmente-mais-de-700-mil-pessoas-cometem-suicidio-segundo-oms

Às vésperas do início do Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, fomos impactados pela notícia de um adolescente que, em meio a um profundo sofrimento emocional, buscou na inteligência artificial um espaço de escuta - mas não pode encontrar neste espaço o cuidado que necessitava.

Em vez de acolhimento, infelizmente, ele recebeu validação e orientação para dar fim em sua vida. Ecoa em muitos um questionamento atual: por qual motivo tantas outras pessoas, como esse jovem, vem buscando na Inteligência Artificial esse tipo de relação, de suporte, de vínculo?

Clique aqui para ler a matéria completa.

É uma história dura, que nos lembra não só da seriedade do sofrimento psíquico, mas também da necessidade de preparo, ética e presença humana real para lidar com ele.
Vivemos em uma era de hiperconexão digital. Estamos sempre online, conectados, mas nem sempre estamos em contato. É nesse cenário que o tema-questionamento do 30º Congresso Brasileiro de Análise Transacional deste ano ganha ainda mais força:

Em um mundo cada vez mais digital, como construir conexões genuínas?
Como andam a importância e a manutenção do contato humano em tempos de tela?

A AT nos lembra que o ser humano precisa de reconhecimento, afeto e vínculo para se desenvolver de forma saudável. Precisamos ser vistos, ouvidos, tocados. Em tempos de mensagens rápidas e atenção fragmentada, o risco é grande de que nossas necessidades emocionais passem despercebidas - não só pelo outro, mas até por nós mesmos.

O Setembro Amarelo nos convida a olhar com mais profundidade para a dor do outro - e para a nossa também. É um chamado à escuta genuína, ao abraço que acolhe, ao “estou aqui” que salva vidas, literalmente. A campanha traz esse ano como tema Conversar Pode Mudar Vidas, o que, de certa forma, nos lembra que nenhuma tecnologia substitui o valor de um olhar presente, de um tempo compartilhado, de uma palavra que valida e acolhe.

Casos como esse mencionado acima nos convidam a refletir sobre os riscos de substituir vínculos humanos por respostas automáticas. E, ao mesmo tempo, reforçam a urgência de estarmos verdadeiramente presentes, atentos, disponíveis e preparados para acolher o que, tantas vezes, chega até nós de forma tão fragilizada.

Por isso, a edição do Reflexões Transacionais deste mês vem de forma diferente. Geralmente, compartilhamos aqui os trabalhos já existentes na nossa comunidade de Analistas Transacionais. Dessa vez, queremos fazer algo novo e vamos deixar aqui o convite para você que vai ao CONBRAT:

Desfrute e participe ativamente!
A programação está riquíssima e contará com painéis, workshops, rodas de conversa e mais, tudo voltado para as áreas Organizacional, Educacional, Psicoterapiade, Ciências da Saúde e Ética. Faça e compartilhe conosco as suas Reflexões Transacionais!

Nossa comunidade de AT gostará de saber!
Mais do que nunca, precisamos resgatar o que há de mais humano em nós: o contato. Esse que cura, sustenta e dá sentido à vida.

A campanha Setembro Amarelo foi criada em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM)e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Desde então, Setembro se tornou um mês símbolo da luta pela vida, com o dia 10 de Setembro marcado como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
setembroamarelo.org.br  é o portal oficial do movimento, organizado pelo CVV. Nele, você encontra informações sobre o histórico da campanha, materiais para download (como cartilhas, spots de rádio e logos), e conteúdos que reforçam o tema de 2025: “Conversar pode mudar vidas”.

Perceber os sinais e buscar ajuda é um ato de autocuidado - sua vida importa. Ao persistirem sentimentos de ansiedade ou desesperança, procure um profissional de saúde mental e acesse sua rede real de apoio.

Por: LIZIANA RODRIGUES – Analista Transacional em formação - Organizacional
Facilitadora e Mentora de Processos Formativos. Musicoterapeuta. Psicodramatista Socioeducacional. Especialista em Saúde Pública. Formada em Dinâmica dos Grupos/SBDG. Em formação em Análise Transacional Organizacional, pela UNAT. Mediadora de Conflitos pela Dialogar/Ctba. Docente do IMAP/Curitiba e da ENAP/Brasília. Atriz, Condutora, Diretora e Produtora Artística da Cia Re-Trato Playback Theatre. Artesã de Dioramas e Minimundos. Integrante do Movimento Cidades em Transição/Hub Brasil.

A Análise Transacional (AT), desenvolvida por Eric Berne na década de 1950, constitui-se como um método psicológico de intervenção nas interações humanas e que busca compreender os padrões de comportamento e comunicação a partir das trocas entre as pessoas, ou Transações (termo técnico na AT). Berne propõe conceitos como os Estados do Ego Pai, Adulto e Criança (BERNE, 1964) para explicar essa dinâmica de compreensão de mundo que acontece dentro de cada um de nós. Já a Musicoterapia, reconhecida como prática clínica, educacional e comunitária, utiliza o som e a música e seus elementos, como recursos terapêuticos para promover saúde, comunicação, integração social e bem-estar (BRUSCIA, 2016).

Embora possuam origens distintas, ambas as abordagens partem de uma visão humanista do ser humano, na qual a autonomia, a criatividade e a qualidade das relações ocupam lugar central. Refletir sobre os pontos de convergência entre a AT e a Musicoterapia permite ampliar estratégias terapêuticas e enriquecer os processos de cuidado.

Na perspectiva da AT, a vida psíquica organiza-se a partir de Scripts - ou padrões relacionais - aprendidos na infância. As interações se expressam por meio desses padrões e são chamadas de Transações, que podem ser funcionais (comunicação assertiva) ou disfuncionais (Jogos Psicológicos), a depender do Estado do Ego ativado (STEWART; JOINES, 2013).

A Musicoterapia, por outro lado, pode criar um espaço de expressão não verbal e criativa, onde conteúdos emocionais podem emergir sem as barreiras da linguagem racional. A improvisação sonora-musical, o canto, a escuta e a composição tornam-se recursos para acessar memórias, expressar afetos e elaborar conflitos (BRUSCIA, 2016; BENENZON, 1988).

Nesse contexto, a AT pode oferecer um referencial útil para compreender o que se manifesta no espaço musicoterapêutico. Exemplos:

· O Estado do Ego Criança pode surgir na espontaneidade de uma improvisação rítmica, revelando vulnerabilidades ou necessidades afetivas. Em situações de atendimento clínico com pessoas com alguma deficiência ou trauma, percebemos o quanto a Musicoterapia apoia a expressão das subjetividades, porque a pessoa pode manifestar um trauma cantando ou tocando algum instrumento de uma forma muito espontânea;

· O Estado do Ego Pai Crítico pode se evidenciar em críticas internas que bloqueiam a entrega à experiência musical. Uma pessoa pode se achar “desafinada e que jamais seria capaz de cantar afinado” pelo nível de exigência que possui e que aprendeu em seu Script. E, na Musicoterapia, sabemos que não existe gente desafinada! Todos e todas temos capacidade de sermos afinadas! O que pode acontecer é uma falta de Permissão para experimentar e aprender. Alcançar essa Permissão pode se dar de uma maneira mais fluída e leve com o apoio de um Musicoterapeuta;

· O Estado do Ego Adulto se fortalece quando o indivíduo integra a vivência musical a uma reflexão consciente, ampliando sua Autonomia.

Em atendimentos em grupo, a Musicoterapia potencializa a Análise das Transações sociais. As interações musicais coletivas, os diálogos sonoros, permitem observar Contratos implícitos, formas de cooperação ou conflito, além de favorecer processos de renegociação relacional, um ponto fundamental da prática da AT.

Assim, o estímulo sonoro-musical torna-se não apenas um meio de expressão, mas também um campo de investigação para novas formas de Transação, oferecendo caminhos lúdicos e criativos para a ressignificação de padrões comunicacionais.

A aproximação entre Análise Transacional e Musicoterapia revela um campo fértil de integração.

Enquanto a AT fornece um modelo conceitual para compreender padrões relacionais e promover Autonomia, a Musicoterapia oferece uma experiência sensível e criativa que amplia as possibilidades de transformação a partir da relação com o som.

Ambas as práticas convergem no reconhecimento do potencial humano para o crescimento e na valorização da relação como espaço de cuidado. Integradas, podem potencializar processos terapêuticos, educativos e comunitários, favorecendo o desenvolvimento de indivíduos mais conscientes, autênticos e saudáveis.

Referências:
BENENZON, R. O. Manual de Musicoterapia. Buenos Aires: Paidós, 1988.
BERNE, E. Games People Play: The Psychology of Human Relationships. New York: Grove Press, 1964.
BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. 3. ed. Barcelona: Graó, 2016.
STEWART, I.; JOINES, V. Análise Transacional Hoje: Uma Introdução à Nova Psicologia dos Relacionamentos Humanos. São Paulo: Cultrix, 2013.

por Ana Paula Silva Cibreiros de Souza
Formada em Psicologia com Especialização em Recursos Humanos e em Análise Transacional (incompleta).

Sou mãe de uma deficiente auditiva de 33 anos e me lembro quando recebi a notícia dos otorrinos do CEAL - Centro Educacional da Audição e Linguagem - após minha filha fazer os exames necessários.

A notícia em si não foi um choque, mas o que fazer fez um diferencial muito grande em nossa vida. Imediatamente, fui procurar entender e compreender o universo deles. Era uma época com foco na oralização e, assim, seguimos com fonoaudióloga, psicopedagoga, viagens para o implante coclear, modelos de aparelhos auditivos. Porém, quando ela entrou na escola, já sentimos uma grande dificuldade. Pessoas sem preparo para os diversos tipos de deficiências existentes. Como as coisas mudaram! E como as pessoas estão mais antenadas! Mas é tudo um processo...

Diante de tantas informações e vendo minha filha sem um rumo a seguir em relação à educação, mesmo contra algumas idéias, matriculei-a no CEAL, uma escola especializada. À época, eles já educavam com a linguagem de sinais. O que me fez engajar nesse mundo da LIBRAS.

LIBRAS, a Linguagem Brasileira de Sinais, é a linguagem da comunidade surda. Ela representa sua identidade e é motivo de orgulho, permitindo, assim, a inclusão social e cultural.  E exercendo de forma livre e respeitosa seu papel na sociedade.

Muita coisa aconteceu nesses trinta e poucos anos e hoje posso dizer que a LIBRAS é respeitada e difundida, porém há muito ainda para caminhar. As dificuldades ainda existem. Em consultórios médicos, hospitais onde muitas vezes precisam ir com alguém para que possam ser bem compreendidos.

Quando se trata de saúde mental, que é algo mais específico, a situação não é diferente. Muitas pessoas surdas procuram um psicólogo depois de desenvolverem depressão causada também pelo isolamento social ou, até mesmo, dentro de suas famílias. Vejo poucos profissionais envolvidos no atendimento de pessoas com surdez através da LIBRAS. Muitas faculdades ainda colocam a LIBRAS como eletiva em suas grades curriculares.

Através da LIBRAS, os surdos colocam seus sentimentos, suas emoções, desenvolvendo sua auto estima, conectando com seu self e entrando num processo de amadurecimento emocional, ficando livres para serem eles mesmos numa auto aceitação.

E por que não incrementar esse autoconhecimento através da Análise Transacional, cujo objetivo é exatamente essas mudanças positivas nas relações interpessoais? Que é  uma linguagem simples e clara e que ajuda as pessoas a viverem de forma mais saudável? Sempre acreditei nessa abordagem para a comunidade surda devido à facilidade de compreensão dos conceitos.

Minha filha faz terapia em LIBRAS e para ela está sendo de extrema importância, mas poucos têm acesso a isso. Como eu disse, muita coisa já mudou mas muito ainda precisa melhorar.

Que os Analistas Transacionais possam colocar LIBRAS em sua grade de formação e possam fazer o que sabem de melhor: auxiliar nas interações humanas e no desenvolvimento de todo potencial humano através dessa comunicação tão promovida atualmente.

Também é tempo de celebrar a natureza e quem estuda a vida em sua essência: 03/09, dia do Biólogo, e 26/09, dia Mundial do Mar!

A Análise Transacional nos convida a olhar para os nossos próprios processos de crescimento, adaptação e evolução, enquanto a Biologia observa os ciclos naturais, os ecossistemas e as transformações da vida. Ambas as áreas, cada uma a seu modo, nos ajudam a compreender melhor a complexidade da existência - dentro e fora de nós.

Ser bióloga hoje
depoimento por Maria Julia Willemes

"Venho de uma família de professores e, desde cedo, estive cercada pela educação e todas as suas nuances. Ainda assim, embora esse universo já pulsasse em mim, demorei dez anos depois de formada em Biologia para, de fato, ocupar o meu lugar como professora em uma escola. Nesse intervalo, percorri um longo processo de maturação, essencial para o meu crescimento pessoal e profissional. A escolha pela Biologia partiu de uma inquietação: a percepção de que “todos nós somos, profundamente, natureza”. E que, mesmo diante de toda a sua complexidade e sutileza, a ciência é capaz de realizar verdadeiras (r)evoluções.

Minha trajetória acadêmica começou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde realizei a iniciação científica, o mestrado e agora concluo o doutorado em Botânica. Estudei algas, recifes de coral, mudanças climáticas e impactos antrópicos, colaborando em diferentes frentes de pesquisa. Tive também a oportunidade de embarcar em expedições para o Arquipélago de Abrolhos, vivenciando de perto a complexidade e a vulnerabilidade dos ecossistemas marinhos.

Paralelamente, nunca abandonei a educação: dei aulas particulares, atuei em um curso pré-vestibular comunitário e, hoje, leciono Biologia no Ensino Médio. Nessa confluência entre ciência e docência, encontro sentido e potência: a pesquisa me deu robustez e profundidade, enquanto a sala de aula me trouxe pertencimento e a chance de inspirar novas gerações.

Ser bióloga hoje é, para mim, estar nesse espaço de encontro entre o conhecimento e o cuidado, entre a investigação científica e a educação. É cultivar uma prática que questiona criticamente as relações entre natureza, sociedade e aprendizagem, levando em consideração a urgência ambiental do nosso tempo."

Maria Julia Willemes é bióloga (UVA), mestre e doutoranda em Botânica pela Escola Nacional de Botânica Tropical/JBRJ. Possui mais de 10 anos de experiência em pesquisa científica, com foco em ecologia, biologia marinha e mudanças climáticas, tendo participado de expedições ao Arquipélago de Abrolhos e publicado em periódicos nacionais e internacionais. Atua como professora de Biologia no Ensino Médio, onde integra e aproxima pesquisa e educação, formando cidadãos críticos e conscientes.

Aniversariantes

01 SETEMBRO
Mirema Barreto Rangel

02 SETEMBRO
Patricia Maria L do Couto Ribeiro

03 SETEMBRO
Fabiana Muniz do Carmo

05 SETEMBRO
Marluci de O Azevedo da Costa
Moana Paulina Garcia Miranda

07 SETEMBRO
Marcus Alexandre Nepomuceno Rosa
Cristiane de Carvalho Vilela
Renata Nogueira Tannus

08 SETEMBRO
José Antônio Matiolla

09 SETEMBRO
Katy Helder de Villa Cardoso
Jessica Ferreira Costa

10 SETEMBRO
Graciela Doninelli
Jaci Pinheiro Duarte
Maria Teresinha Gartner

11 SETEMBRO
Rubens Correia Filho
Constancia Margarete A de Boni
Cristina Luisa Hedler
Giancarlo Ceron

15 SETEMBRO
Elizete Medeiros Varela
Thais Queiroz da Silva

16 SETEMBRO
Elisângela Sales de Alencar
Carla Mara Mamede Macedo

17 SETEMBRO
Uiara Regina Cardoso Teixeira
Romulo Daniel

18 SETEMBRO
Isabela Vasconcelos de Souza
Elizete Popia

19 SETEMBRO
Amilton Marcos de Almeida

20 SETEMBRO
Carolina Narloch Sass de Haro

21 SETEMBRO
Ana Carolina Martins Nery

22 SETEMBRO
Angélica Luiza Pereira
Cintia Maria de Amorim Stringari

23 SETEMBRO
Ana Luiza Romero Rabello

24 SETEMBRO
Fabíola Maria de Souza
Paulo Azevedo Bastos

25 SETEMBRO
Carolina Schmitz da Silva
Ercilia Antonio da Silva

27 SETEMBRO
Vanessa Lima da Silva
Nayara Costa Siqueira
Elys Tevania Alves de Souza Carvalho

28 SETEMBRO
Renata Cristina Brandao Rossini
Mayra Cristina Fernandes Almeida
Eugenio C G Almeida

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