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Opções News - Newsletter da UNAT-Brasil - Fevereiro
 

Falta pouco para o Congresso Brasileiro de Análise Transacional!
Neste ano, vamos mergulhar no tema "Contato em Tempo de Telas", refletindo sobre como as interações mediadas pela tecnologia moldam relações, identidades e saúde emocional.
Em um momento histórico marcado por conexões digitais intensas e, muitas vezes, superficiais, compreender o impacto desse cenário tornou-se essencial — seja na educação, nas organizações ou na clínica.

Data: 25, 26 e 27 de setembro
Local: Mackenzie - Botafogo - RJ
Inscreva-se

Participe e traga seu olhar para um diálogo que é urgente e necessário.

Período que será aberto para votação:
de 22 a 26/09/2025

Associada da UNAT-BRASIL candidata a Presidente :
Ivana Zanini – Membro Didata em Formação

Associados(as) da UNAT-BRASIL candidatos(as) a Membro do Conselho Deliberativo:

  • Alessandra C M Serra – Membro Regular
  • Aymée Fávaro Cineiro – Membro Regular
  • Ercilia Silva – Membro Didata em Formação
  • Fabiana Rosito Bercht – Membro Regular
  • Jane Maria Pancinha Costa – Membro Didata
  • Jussimar Almeida – Membro Didata
  • Maria Ventura da Silva (Mazinha) – Membro Certificada
  • Renata Santomauro - Membro Certificada
  • Terezinha Naiverth - Membro Certificada
  • Therezinha Moura Jorge – Membro Didata em Formação

VEJA AS INFORMAÇÕES DE CADA CANDIDATA E CANDIDATO AO FINAL DESTA EDIÇÃO

Conferência Mundial de Análise Transacional de 2025, foi realizada de 8 a 10 de agosto de 2025. em Montpellier, França.

A Diretoria de Docência e Certificação, por meio de sua Comissão de Exames, anuncia a realização da 2ª Fase de Certificação, que ocorrerá nos dias 5, 6 e 7 de setembro de 2025. As avaliações serão conduzidas integralmente na modalidade online, visando a flexibilidade e o alcance a um maior número de profissionais em processo de certificação.
Este ano, a comissão se prepara para avaliar um grupo diversificado de candidatas, refletindo a amplitude das áreas de atuação da instituição. Serão ao todo 15 candidatas submetendo-se aos exames. Destas, sete são da área de Psicoterapia, enquanto três se dedicam à área Organizacional e outras três à área Educacional.
Além das candidatas regulares, a comissão também se dedicará à avaliação de duas candidatas MFDs que buscam a certificação para MD, um passo importante em suas trajetórias profissionais e de contribuição para a UNAT-Brasil.

José Silveira Passos MD - Diretoria de Docência e Certificação

 
 

Por: Antônio Pedreira, MD
CREMEB 2238  RQE 20.575

A Psiquiatria é uma especialidade da medicina que se interessa pelo estudo diagnóstico, tratamento e prevenções de doenças mentais e dos transtornos emocionais. É uma área do saber médico que correlaciona conhecimentos de medicina, psicologia e neurociências para entender a intricada interação do binômio corpo-mente e suas repercussões no comportamento humano.

A Análise Transacional (AT) é uma teoria psicológica desenvolvida por Dr. Eric Berne em 1958. Trata-se de uma potente linha de psicoterapia humanista existencial que tem um corpo teórico consistente com conceitos que incluem: Estados de Ego, Transações, Carícias, Jogos Psicológicos, Posição Existencial e Script de Vida, entre outros.

A correlação entre o entendimento dos conflitos pela Análise Transacional (AT) e a abordagem psicossomática dos conflitos é fascinante.

Em seu livro “AT em Psicoterapia: Uma Psiquiatria Individual e Social Sistemática”, o próprio Berne valendo-se do paradigma: CURE ANTES, ANALISE DEPOIS estabelece no capítulo 14 (página 114) quatro metas possíveis na psicoterapia dos transtornos neuróticos. 1) Controle Sintomático 2) Alívio Sintomático 3) Cura Transferencial 4) Cura Psicanalítica, indicando como pode ser a abordagem pela AT. Ao tempo em que atuou como psiquiatra no ambiente hospitalar, suas atuações no trato com pacientes portadores de neuroses chamaram à atenção do corpo clínico, pela ênfase revolucionária com que ele os considerava como seres humanos totais e que merecem ser tratados como tal.

Além do mais, nas sessões clínicas plenárias, depois dos psiquiatras fazerem suas exposições sobre os casos clínicos de cada um deles, na ausência dos pacientes, cada debatedor iria dizer perante o auditório repleto, em seguida, já na presença de cada um deles. Berne se insurgiu contra tal prática postulando que: aquilo que não possa ser dito na presença de um paciente psiquiátrico, não deve ser dito na ausência dele. Também criou um paradigma que influenciou não só o modo de pensar dos partícipes dos seminários de San Francisco, em Mount Carmel, mas todos os teóricos da Escola Clássica da AT, assim expressos: todos os males da mente, desde que não haja lesão cerebral grave, são curáveis, desde que se ofereça um tratamento eficiente e eficaz. 

Esse modo singular e genial do criador da AT estimulou os “old timeres” desse frutífero seminário a pensarem dessa maneira e a escreverem no TAB (Transactional Analysis Bulletin) as suas ideias sempre interrogados antes: ISSO CURA? 

Entre seus seguidores, Jacqui Schiff desenvolveu uma abordagem inédita com possibilidade de cura de psicoses, como a esquizofrenia, mediante um processo denominado de Parentalização. Tudo isso me empolgou como recém-formado em medicina, ao retornar dos meus 2 anos nos EUA da minha pós-graduação em Nova Iorque (Cornell University Medical College – New York Hospital). Tive contato com um best seller escrito por um discípulo de Berne, Thomas Harris: EU ESTOU OK – VOCÊ ESTÁ OK: Um Guia prático de Análise Transacional. Mas foi através do sempre lembrado e meu mestre, o psiquiatra Dr. Jessé Accioly (um dos fundadores da UNAT e da ALAT), com quem fiz o meu 1º AT – 101, em 1975, que me empolguei de vez pela AT e pela obra de seu genial criador, Eric Berne.

Como Berniano das primeiras horas, desde a chegada da AT ao Brasil, apliquei todos os recursos do amplo arsenal terapêutico da Escola Clássica da AT e dos novos aportes pós Bernianos - como Redecisão, Desconexão dos Sentimentos Elásticos, Resolução de Impasses, Autoparentalização etc. -, os quais se mostraram úteis para trabalhar meus clientes em consultório particular nos atendimentos individuais, grupais e de casal e para o manejo eficaz de técnicas dos maiores teóricos da AT (Ver Prêmios Eric Berne) no tratamento de transtornos psicossomáticos.

Também desenvolvi abordagens teórico-práticas (vide publicações na REBAT) e escrevi livros baseados no referencial da AT e artigos originais. Na minha prática clínica, vi minha clientela crescer de modo incrível até alcançar no momento presente, um número superior a 20 mil clientes, sempre com base no referencial da AT.

Como Psiquiatra, participei de congressos nacionais e internacionais, e eventos regionais em vários estados do nosso país. Como Membro Clínico, participei de congressos internacionais, em toda América Latina, Estados Unidos da América do Norte e Canadá, Europa e África do Sul, e eventos regionais em vários estados do nosso país.

Compartilho aqui algumas peculiaridades do meu trabalho clínico, como psiquiatra:

  1. Estabeleço Contratos claros em concordância com meus clientes, em base OK/OK;
  2. Pactuamos juntos metas a serem atingidas;
  3. Receito psicofármacos nas menores doses efetivas possíveis, e pelo prazo mais curto sempre que possível;
  4. Entendendo que não há remédio algum capaz de elaborar conflitos, invisto cerca de 80% do tempo da consulta em tópicos psicoterápicos com AT desde a anamnese inicial até a alta do cliente;
  5. Pratico uma escuta acrítica e empática, e sempre anoto nos meus prontuários tudo o que foi dito e assinalo também o como foi expresso; 
  6. Busco fazer o melhor rapport possível, garantindo todo o sigilo do que me foi confidenciado, dentro da ética profissional, para além de estabelecer um clima descontraído e amistoso;
  7. Consolidada a aliança terapêutica, peço-lhe permissão para termos um abraço à chegada e à partida de cada consulta estabelecendo uma conexão afetiva e respeitosa aos devidos limites, dentro da Lei da Abundância de Caricias de Steiner;
  8. De saída, busco fazer um contato visual, mesmo no modo online das consultas por videochamadas, com a máxima atenção, às Transações, e à linguagem verbal e a não verbal, com especial enfoque nos Compulsores e Injunções;
  9. Valho-me do fato da AT ter uma linguagem clara e com possibilidade de ser expressa por termos coloquiais e poder ser diagramável, para uma comunicação efetiva e afetiva. Não raro interrogo ao cliente se ficou tudo claro o que eu disse, e se faz sentido para ele;
  10. Sempre que possível pergunto-lhe ao final da sessão terapêutica, O que você leva dessa experiência? Caso observe dificuldade no entendimento ou um déficit de atenção ou de cognição, como terapeuta encaixo o meu Adulto e faço uma sinopse do essencial;
  11. Agrego técnicas psicoterápicas de outras linhas para o melhor rendimento do tempo alocado para cada consulta de 50 minutos, e ofereço já impresso as normas de como é o meu trabalho e peço que leia em casa e me traga assinado, se concordar;
  12. Tenho profundo respeito pelo nosso Tempo e, além de cronometrar em um ou dois timeres, atendo pontualmente a todas as nossas consultas, conforme foi acordado na marcação prévia e na confirmação pela secretária. Assim uso AT na minha práxis psiquiátrica.
 

Por: Ana Laura Rodovalho
Psicóloga Clínica CRP 04/49248, Membro Certificado da UNAT-Brasil - Área de Psicoterapia e membro da Comissão da Diretoria de Comunicação UNAT-Brasil.

Nesta edição do ATFlix, quero falar sobre um filme que tem mexido com muita gente nos últimos meses: Homem com H. Uma produção que nos conduz pela trajetória intensa e corajosa de Ney Matogrosso — artista cuja existência é, por si só, um ato de Resistência.

O título do filme já provoca: Homem com H. E nos convida, desde o início, a revisar nossos conceitos sobre masculinidade — muitos deles sustentados por um Estado de Ego Adulto Contaminado por crenças rígidas do Pai.

A figura de Ney — um homem bissexual, que usa maquiagem, roupas justas e dança com liberdade — desafia décadas de discursos normativos sobre o que é “ser homem”. E nos ajuda a ampliar nosso Quadro de Referência, separando pensamento crítico de preconceito disfarçado de racionalidade.

A narrativa do filme também toca em um ponto sensível: a busca, muitas vezes silenciosa, por validação paterna. A relação de Ney com o pai expõe feridas que não são só dele — são de muitos de nós. À primeira vista, ao vermos Ney ousar ser exatamente o que o pai mais repudiava, pode parecer que sua trajetória é impulsionada pelo Anti-Script. Talvez em parte sim. Mas arrisco dizer que muito maior do que seu Anti-Script, era a vontade de Ney de botar seu bloco na rua, brincar e botar pra gemer.

O que me atravessou ao assistir o filme foi imaginar como uma criança sensível e artística como Ney talvez tenha, sem querer, tocado em proibições e Injunções que o pai jamais conseguiu enfrentar em si mesmo. Um pai moldado por preconceitos, que aprendeu a silenciar a própria Criança Livre, e que, diante da ousadia do filho, talvez tenha visto o reflexo de tudo aquilo que ele mesmo foi forçado a reprimir. E, ao não suportar esse espelho, reagiu com violência.

E eu me pergunto: o preconceito não nasce também disso? De uma raiva mal elaborada por não ter podido Ser? De uma frustração que se transforma em intolerância diante de quem ousa Ser? 

Ney enfrentou essa intolerância dentro de casa e no mundo. Seguiu em frente mesmo diante da censura, da ameaça e da repressão da ditadura militar. Assumiu sua arte, sua voz, seu corpo, sua sexualidade. E, certamente, precisou de muita Criança Rebelde para sustentar essa escolha.

Mas ele também sofreu, porque ser resistência tem um preço. E talvez, no meio do caminho, Ney tenha se ancorado no Seja Forte para poder continuar.

Talvez sua Criança Livre não tenha podido sentir ou expressar toda a sua vulnerabilidade com a leveza que desejava. Porque, infelizmente, nossa cultura ainda reserva o direito de expressar-se com segurança apenas àqueles que se encaixam nos padrões considerados aceitáveis.

Algo que esse filme também me fez refletir sobre como as crenças preconceituosas — muitas vezes abrigadas no Pai ou mascaradas no Adulto contaminado — produzem impactos reais. Elas ferem, silenciam, e colocam em circulação Injunções como “Não seja você”. Criam ambientes hostis à Autenticidade.

É por isso que figuras como Ney são tão necessárias. Porque de tempos em tempos, é preciso alguém que Interrogue e Confronte ideias ultrapassadas e opressoras para que, com sorte, elas sejam erradicadas de vez.

Inspirada pela coragem de Ney, quero terminar esse texto com um questionamento à você, caro leitor: não se trata de se você ainda carrega crenças enrijecidas — mas quais. Quais ideias herdadas, moldadas pelo medo da própria vulnerabilidade, você ainda sustenta? Quais verdades absolutas você repete sem perceber que vêm de um Pai rígido e um Adulto Contaminado? E quem, ao seu redor, tem sentido os impactos disso?

Talvez você não precise subir num palco em plena ditadura para fazer resistência. Mas as batalhas internas, essas que nos libertam do nosso próprio opressor (opressor esse que também se externaliza), essas... são inadiáveis.

 

reflexõestransacionais

Comissão da Diretoria de Comunicação

O mês de Agosto é marcado por uma campanha de grande relevância social: o Agosto Lilás, que tem como objetivo a conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A campanha ganha ainda mais força com a lembrança do Dia Estadual da Lei Maria da Penha* (07/08), um marco legal na proteção das mulheres e no combate à violência doméstica no Brasil.

Mais do que apenas lembrar datas, é fundamental refletir sobre os padrões comportamentais e relacionais que muitas vezes perpetuam a violência. Nesse sentido, a Análise Transacional pode ser uma poderosa aliada na compreensão das dinâmicas que envolvem relacionamentos abusivos.

A AT propõe que em relações saudáveis há equilíbrio e comunicação de forma efetiva, respeitosa e adequada. No entanto, em relações abusivas, frequentemente encontramos interações em desequilíbrio, marcadas por Jogos Psicológicos, em que as partes podem assumir posturas de controle, submissão ou manipulação - muitas vezes inconscientemente. Reconhecer essas dinâmicas é o primeiro passo para mudá-las.

A Lei Maria da Penha é uma resposta concreta do Estado para proteger mulheres da violência, mas a transformação também precisa ocorrer nos níveis psicológico, social e educacional. Precisamos aprender a nos relacionar a partir de um Adulto Integrado, onde há respeito, empatia, comunicação clara e limites saudáveis.

O Agosto Lilás nos convida a olhar com mais atenção para essas relações. Que possamos usar esse mês não só para falar de leis e estatísticas, mas também para promover a mudança de padrões nocivos, individuais e coletivos, com o autoconhecimento, a escuta ativa e o olhar atento.

Que a teoria de Berne nos ajude a construir vínculos mais conscientes, livres e seguros para todas as pessoas, especialmente para as mulheres que ainda sofrem em silêncio. E para que cada um de nós possa ser agente de transformação, combatendo a violência com atitude, acolhimento e informação, separamos 5 artigos a respeito desse tema, publicados por mulheres potentes, nossas Analistas Transacionais:

  • Violência doméstica contra a mulher e Síndrome de Passividade: um diálogo possível, por Aline Gonçalves Urias

O artigo traz como proposta a busca pelo entendimento das relações conjugais permeadas pela violência à luz de alguns conceitos da AT. Por meio da oferta de atendimentos psicológicos ao público feminino com vivência de violência doméstica praticada pelo companheiro, a autora teve a possibilidade de observar condutas que podem ser lidas através da Síndrome de Passividade, que abarca definições como Simbiose, Desqualificação e Comportamentos Passivos para compreender a não reação ou reação inadequada de indivíduos perante determinadas situações.

  • Violência doméstica e o não dito na perspectiva da Análise Transacional,  por Alyne Kely Macedo S. F. Moura

O artigo aborda a violência doméstica e o não dito através da experiência do atendimento no serviço público de saúde do Distrito Federal. É uma proposta de reflexão, a partir dos pressupostos da Análise Transacional, de forma especial e profunda, sobre aspectos que envolvem o conceito de Ulterioridade. A autora mostra como a AT pode ser útil na compreensão da comunicação existente na família de vítimas da violência doméstica.

  • Mulheres em situação de violência doméstica e familiar: um olhar da Análise Transacional, por Rose Méri Nietto

O artigo refere-se a uma pesquisa bibliográfica realizada pela autora com o objetivo de entender, por meio dos conceitos de Carícias e Posição Existencial, como a AT compreende o fenômeno das mulheres que vivem em situação de violência doméstica e familiar.

  • Violência doméstica contra a mulher e o Reconhecimento Humano, por Raquel Rolim Rosa

A autora, a partir de estudos sobre fatores sócio históricos, culturais e de gênero na manutenção da violência, pretende apresentar com este artigo uma reflexão sobre a violência doméstica contra as mulheres - que, muitas vezes, não conseguem identificar a violência e não reconhecem as próprias Emoções -, à luz da teoria do Reconhecimento Humano, com o objetivo de justificar a necessidade de trabalhar Educação Emocional e Reconhecimento Humano para o fortalecimento da autonomia, independência e bem estar dessas mulheres.

  • Mulheres e violência: Uma proposta de intervenção à luz da análise transacional, por Ana Karina Dias

A autora, visando promover o enfrentamento e a prevenção de situações de violência, apresenta em seu artigo pontos importantes para a compreensão das relações em que há violência, os impactos à saúde das mulheres e uma proposta de intervenção psicoeducativa em um grupo de 6 mulheres, a partir dos conceitos de Estados do Ego, Reconhecimento Humano, Carícias, Triângulo Dramático e codependência afetiva.

*A Lei Maria da Penha foi criada e sancionada em 7 de agosto de 2006, com o número 11.340.  A lei leva o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, que foi vítima de violência doméstica e se tornou símbolo da luta contra a violência contra a mulher. O marido dela tentou matá-la duas vezes e ela ficou paraplégica após as tentativas.

A Lei Maria da Penha estabelece mecanismos para coibir a violência contra a mulher, indicando as formas de evitar, enfrentar e punir a agressão, além de definir a responsabilidade de órgãos públicos no auxílio às vítimas.
Ela também reconhece cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência física envolve agressões corporais, como tapas, socos, chutes, queimaduras e empurrões. A violência psicológica inclui insultos, humilhação, manipulação e isolamento. A violência sexual engloba qualquer ato sexual não consentido. A violência patrimonial refere-se à retenção ou destruição de bens da vítima. Por fim, a violência moral envolve calúnia, difamação ou injúria. Para saber mais: institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html

A violência contra a mulher pode ocorrer em diferentes contextos além do ambiente doméstico, incluindo familiar, público ou privado. É fundamental reconhecer e denunciar qualquer forma de violência, buscando ajuda através dos canais disponíveis.
A Central de Atendimento à Mulher é um serviço criado para o combate à violência contra a mulher e oferece três tipos de atendimento: registros de denúncias, orientações para vítimas de violência e informações sobre leis e campanhas.

NÃO SE CALE - DENUNCIE

Reflexões Transacionais é uma editoria não só para dar espaço aos trabalhos realizados pela nossa comunidade de Analistas Transacionais que, diga-se de passagem, está recheada de conteúdos bacanas e riquíssimos, mas também para convidar cada um de nós a refletir, a pensar em Análise Transacional.

Você tem gostado dos trabalhos apresentados nessa seção e ficou com gostinho de “quero mais”? Você pode encontrar cada um deles completos na aba Publicações em nosso site oficial!

Agora, se você ficou com vontade de compartilhar conosco as suas Reflexões Transacionais, vamos adorar saber!

Nos envie seu feedback através do e-mail comunicacao@unat.org.br.
Até a próxima!

Por: Adriana Montheiro.  Neuropsicóloga. CPR-05/8176
MDF-Psicoterapia e Diretora de Comunicação UNAT-Brasil.

“Sobre a base das primeiras experiências, a criança adquire convicções, toma decisões, escolhe sua posição no mundo. Somado ao que vê e ao que ouve, escolhe seu plano - triunfador ou fracassado - e seu saldo. É a primeira versão clara do Script. Assim, a criança nasce livre e é programada pela mãe primeiramente. Essa programação forma a estrutura fundamental do Script - o seu protocolo fundamental.” (Eric Berne)

 

"Antes da palavra, há o pulso. Antes do pensamento, há o toque. Antes do script, há o campo." (W.Reich)

Recentemente fomos impactados pela morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, onde foi buscar as mais recentes tecnologias para tratar um câncer no intestino. Querida por familiares, amigos e fãs, surpreendeu a rapidez e a ferocidade da doença implacável. Acho oportuno trazer uma conversa entre Reich e Berne sobre questões psicológicas que atravessam campos familiares energéticos relacionais e as implicâncias dos caminhos terapêuticos.

No tempo sem nome, quando ainda não há olhos para ver, nem mãos para segurar, o corpo já escuta. Escuta o ambiente intrauterino como quem lê uma partitura silenciosa, composta de hormônios, emoções, vibrações, ritmos e ausências. É nesse espaço pré-verbal — no útero enquanto campo energético, afetivo e biológico — que se iniciam os traços mais primitivos da nossa narrativa existencial.

Reich chamaria isso de formação da couraça energética.
Berne, com seu olhar relacional, nomearia como Protocolo do Script.

Do Script que se Sente ao Script que se Conta

Eric Berne nos ensina que a criança, diante das primeiras experiências com a realidade e com as figuras parentais, toma decisões inconscientes sobre si mesma, o mundo e os outros. Essa trilha narrativa molda sua vida adulta como um roteiro previamente escrito — o chamado Script de Vida.

Mas Berne também aponta que esse Script começa antes da palavra. Ele nomeia essa camada como o protocolo: um conjunto de impressões somáticas, afetivas e relacionais que ainda não se organizam simbolicamente, mas que estruturam o terreno onde as decisões posteriores serão plantadas.

Wilhelm Reich, por sua vez, descreve esse período como a formação das couraças biológicas, moldadas a partir de experiências que impedem o fluxo pleno da energia vital. A criança, ao absorver tensões, frustrações, medos ou rejeições, organiza seus tecidos, músculos e vísceras em padrões defensivos — armaduras que a protegem, mas que também limitam.

Corpo, Script e Memória Implícita: A Trama Invisível

A psicofisiologia e a neurociência afetiva de nossos tempos confirmam aquilo que Reich intuía e que a Análise Transacional revisita: há decisões que não são tomadas com palavras, mas com o corpo, com tensões e contrações.

Durante a gestação, o feto é atravessado pelo estado emocional da mãe. O eixo neuro-humoral (hipotálamo-hipófise-adrenal) organiza-se em íntima sincronia com os hormônios, a vibração e os afetos maternos. Lipton, no seu livro Biologia da Crença, lembra que o cérebro do bebê, nos dois primeiros anos de vida, opera em frequência semelhante à hipnose, o que o torna altamente sugestionável e permeável ao ambiente emocional.

Como diz Schiff, esses estados emocionais são registrados no Estado do Ego Criança da mãe e, por consequência, sua biologia e fisiologia são transmitidas ao filho, moldando sua memória implícita — “aquela que se inscreve não nas palavras, mas nas células”,  ratifica a neurocientista Candace Pert.
A criança aprende a sobreviver, não a viver.
Retém. Contrai. Se defende.
E assim se estrutura o Protocolo Somático Do Script.

O que são Biopatias em Reich?

Segundo Reich: “O organismo vivo é um sistema energético em constante movimento e pulsação. Quando essa pulsação é interrompida, e o fluxo do orgon é cronicamente bloqueado, surge a biopatia.”

Na visão de Reich, biopatia é uma forma de doença funcional do organismo humano que surge da crônica contração da energia vital, o orgon. Trata-se de uma patologia que não se origina de agentes externos (como vírus ou bactérias), mas de um distúrbio interno na autorregulação energética do corpo.

É o corpo que se defende da dor emocional — da angústia, da culpa, da raiva — criando couraças musculares e emocionais. E é essa couraça que, mantendo a energia aprisionada, produz sintomas, distorções de caráter e, eventualmente, doenças somáticas. Biopatia é o corpo gritando o que a alma silenciou.

A Química das Emoções como Linguagem Corporal

Candace Pert nos fala dos peptídeos — mensageiros químicos que circulam entre o cérebro, os órgãos e os músculos. Eles traduzem emoção em substância, afeto em memória biológica. A emoção, portanto, não mora apenas na mente, mas em todo o corpo, vibrando em seus tecidos e moldando seu funcionamento.
Esses registros não são facilmente acessíveis pela palavra ou pela análise cognitiva. São emoções ancestrais aprisionadas em Circuitos Neuronais Autônomos, e contidas em memórias implícitas, nos paralisam automaticamente, armazenadas como sinais de “venha” ou “vá embora”, como nos conta English, no artigo Desenvolvimento dos Subsistemas, apoiada nas falas de René Spitz.

Através de sua meticulosa observação, Spitz deduziu que “os sinais afetivos gerados pelo estado de espírito da mãe parecem ser a forma de comunicação com o recém-nascido. Estas trocas entre mãe e filho continuam sem ser necessário que a mãe tome consciência delas ... por baixo da superfície, o fluxo e refluxo de energia afetiva move as marés que canalizam as correntes do desenvolvimento da personalidade numa ou noutra direção”.  Tudo isto é pertinente para percebermos que durante os primeiros meses o bebezinho registra os fatos através de “vibrações” mais que através de Carícias, e registra uma ou duas mensagens básicas: “Alegria! Venha para o mundo!” ou então “que horror! Volte para o lugar de onde veio!”. Simplificando, teremos “Venha” ou “Vá embora”.

O Protocolo do Script pode ser acionado na clínica como uma resposta visceral, um pavor ancestral diante do toque, da intimidade, da presença. O terapeuta que acessa essa camada — através da escuta somática, do toque respeitoso, da respiração e da presença — se torna um potencial facilitador dessa reorganização.
A clínica precisa ser um campo onde a couraça encontra permissão para derreter, e onde o Script encontra espaço para ser reescrito com novas palavras, novos gestos e um novo ritmo.

A Trama das Fases Iniciais: Da Fecundação à Primeira Autonomia

Cada etapa do desenvolvimento biopsicoafetivo carrega uma função vital e uma oportunidade de ancoragem:

  • Fecundação: energia ancestral, base vibracional do encontro sexual-afetivo.
  • Gestação: auto acolhimento, sensação de ser útero de si.
  • Parto: capacidade de transição, soltar para mudar. Fala de separação e aproximação
  • Amamentação: nutrição e cuidado, tanto físico quanto emocional.
  • Desmame: construção da autonomia.
  • Motilidade para Mobilidade: assumir o próprio caminho.

Essas fases estruturam a base energética e emocional para um sistema neuro-hormonal equilibrado, um sistema imune resiliente e um eu corporal saudável.
Se essas etapas são interrompidas, ignoradas ou atravessadas por trauma, a estrutura de base se fragiliza, e o adulto pode carregar uma história de hipervigilância, ansiedade sem causa aparente, insônia, dificuldades relacionais ou doenças autoimunes — expressões da tentativa do corpo de dar conta do que foi demais, cedo demais.

Entrelaçando Saberes: AT, Reich, Neurociência e Presença Terapêutica

Autores como Allen, Erskine, Cornell, Hine e English vêm enriquecendo a AT com essa escuta do corpo. Falam de Redes Neuronais que sustentam o self, de memórias impressas nos tecidos, da importância da transferência somática e da autorregulação afetiva visceral.

Reich, com sua clareza poética, dizia que todo sintoma é uma tentativa de solução, e que curar é permitir que a energia volte a pulsar.

Berne, com sua genialidade estruturante, dizia que todo Script pode ser reescrito, se houver reconhecimento, presença e liberdade.

Conclusão: Reescrevendo a História com o Corpo Inteiro

A qualidade de vida não é apenas ausência de sintomas.
É a liberdade de estar no mundo com leveza, com presença, com autonomia.
É poder dizer sim ao prazer e não ao que oprime.
É sentir-se em casa dentro do próprio corpo.
E isso só se torna possível quando escutamos a história desde o início — desde o útero, desde o toque, desde o campo.

Nesse ponto, Reich e Berne dançam juntos. E nós, terapeutas, dançamos com eles. Com o coração na escuta e as mãos em reverência, ajudando cada ser a lembrar que sua história pode ser reescrita.

Porque o corpo não é uma estrutura sólida e definitiva, mas um processo vivo, moldado a cada instante pela experiência emocional e relacional. O conceito de Script, sob esse olhar expandido, emerge como uma estrutura bioafetiva — enraizada tanto na fisiologia quanto na linguagem, no gesto quanto na narrativa. Ele começa como sensação, organiza-se como defesa, e se expressa como padrão.

As experiências somáticas, especialmente nos primeiros anos de vida — e mesmo antes, no campo vibracional da gestação — moldam a base do nosso sentir, do nosso reagir e do nosso modo de habitar o mundo. Para acessar e transformar tais registros, não basta interpretar. É preciso tocar, respirar, estar com.

A abordagem corporal em Análise Transacional propõe esse caminho de reconexão, onde o paciente participa ativamente da atualização do seu processo interno. Por meio de toques sutis, respiração consciente, alongamentos, escuta energética e presença cuidadosa do terapeuta, é possível flexibilizar a couraça, ampliar a consciência corporal e liberar padrões emocionais enrijecidos.

O terapeuta, como presença nutritiva, espelha a qualidade do vínculo primário, criando as condições para que o paciente possa vivenciar, em segurança, novas formas de se perceber e se relacionar. Ao restabelecer essa comunicação não verbal e emocional, Circuitos Límbicos são ativado positivamente, integrando os níveis mental, afetivo e somático do ser. Assim, o corpo não apenas revela a história — ele também oferece caminhos para reescrevê-la.

O objetivo dessa abordagem interativa não é apenas aliviar sintomas, mas restaurar a capacidade de pulsar, de sentir, de viver com inteireza. Quando a couraça se desfaz e a energia volta a circular, o Script deixa de ser sentença e se torna possibilidade.

E o ser, enfim, pode se habitar com presença, liberdade, Consciência, Intimidade, Espontaneidade... Enfim, com Autonomia.

Por:Luiz Fernando Candeias. MDF UNAT. Psicólogo Clínico (CRP-05/67750) no Instituto Pharos, Rio de Janeiro. Mestre em Engenharia de Produção pelo Naval Group (França) e Pós-Graduado em Neurociências da Produtividade pela PUC-PR.

Desde 2014, a World Federation of Neurology (WFN) promove anualmente o Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho. A WFN é uma organização internacional que congrega sociedades neurológicas de todo o mundo com o propósito de promover a saúde neurológica globalmente, disseminar conhecimento científico e fortalecer redes colaborativas em neurologia. A campanha anual tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da saúde cerebral ao longo da vida, mobilizando ações educativas, clínicas e políticas públicas.

Em 2025, o tema definido para o Dia Mundial do Cérebro é: “Saúde Cerebral para Todas as Idades” (Brain Health for All Ages). Esse enfoque reforça a necessidade de cuidado e estímulo do cérebro desde os primeiros anos de vida até a velhice, e encontra ressonância em diversos campos do saber que abordam o desenvolvimento humano, entre eles, a Análise Transacional (AT).

A relação entre saúde cerebral e Análise Transacional foi aprofundada no XII Fórum da UNAT-Brasil, realizado em 2024, que teve como eixo transversal a integração entre Neurociências e AT. O encontro foi marcado por uma abordagem colaborativa e interdisciplinar, com destaque para a construção de sentido compartilhado entre profissionais de diferentes áreas.

Entre os temas desenvolvidos, destacou-se o diálogo entre os conceitos da AT — como Script de Vida, Estados de Ego e Autonomia — e os achados contemporâneos da neurociência, com ênfase na memória emocional, no desenvolvimento neuro afetivo e na dinâmica cerebral. As atividades estimularam reflexões sobre como padrões formados na infância podem ser reinterpretados à luz do funcionamento cerebral, favorecendo o recondicionamento de respostas emocionais e cognitivas.

Foi evidente, ao longo do evento, que a AT oferece recursos conceituais e metodológicos que potencializam não apenas a compreensão, mas também o fortalecimento da Reserva Cognitiva — conceito-chave da neurociência contemporânea.

A Reserva Cognitiva é um conceito desenvolvido nas neurociências para explicar por que indivíduos com níveis semelhantes de lesão cerebral podem apresentar graus muito diferentes de comprometimento funcional. Trata-se de uma forma de resiliência neuronal, construída ao longo da vida, que permite ao cérebro compensar perdas estruturais por meio de redes alternativas, estratégias flexíveis e uso eficiente das conexões sinápticas existentes.

Estudos longitudinais demonstram que essa capacidade é influenciada por fatores como nível educacional, complexidade ocupacional, engajamento social, estímulos cognitivos variados e hábitos de vida saudáveis. Um exemplo bem característico foi o estudo realizado com freiras norte-americanas, cujas autópsias revelaram extensas lesões cerebrais compatíveis com Alzheimer, embora em sua maioria tenham mantido funcionamento cognitivo preservado até idades avançadas. Esses achados reforçam a hipótese de que a exposição contínua a ambientes estimulantes e desafiadores fortalece conexões sinápticas, cria circuitos compensatórios e preserva funções executivas, mesmo diante de processos neurodegenerativos.

Esse modelo de proteção ativa e desenvolvimento ao longo da vida encontra ressonância direta em abordagens psicoterapêuticas que valorizam a consciência, a autonomia e a reorganização de padrões relacionais — como propõe a Análise Transacional.

A Análise Transacional (AT), desenvolvida por Eric Berne na década de 1950, parte da premissa de que os indivíduos estruturam sua personalidade com base em experiências precoces internalizadas em forma de Estados de Ego — Pai, Adulto e Criança — e que, a partir dessas vivências, elaboram um Script de Vida, um plano inconsciente que orienta comportamentos, decisões e vínculos ao longo da existência.

“Cada pessoa decide na primeira infância como vai viver e como vai morrer, e, esse plano, que ela leva na sua cabeça para onde quer que vá, é chamado de seu Script.” (Berne, 1972)

Embora concebida originalmente como uma teoria psicológica relacional, a AT contém implicações diretas para o fortalecimento de dimensões cognitivas e adaptativas. Por meio de intervenções que favorecem a descontaminação do Adulto, a mudança de decisões de Script e a criação de novas experiências afetivas significativas, a AT possibilita a reconfiguração de padrões comportamentais rígidos. Esse processo não apenas promove maior liberdade subjetiva, como também estimula o uso consciente de recursos mentais e emocionais diante de situações complexas, sustentando um funcionamento cerebral mais integrado, coerente e resiliente.

Além disso, os fundamentos da Análise Transacional — como os Estados de Ego, o Script de Vida e os Jogos Psicológicos — citando aqui apenas alguns elementos estruturantes, oferecem uma leitura compreensiva para a reorganização de padrões internos e relacionais. Estes conceitos permitem uma integração com os fundamentos da reserva cognitiva, pois apresentam a possibilidade de construirmos repertórios relacionais e cognitivos, em camadas mais amplas, capazes de gerar conexões e opções genuínas que propiciam realidades que abastecem nossas necessidades relacionais.

O tema do Dia Mundial do Cérebro de 2025 — “Saúde Cerebral para Todas as Idades”, convida a uma compreensão ampliada da mente humana, que reconheça tanto seus aspectos biológicos quanto relacionais, históricos e afetivos. Nesse horizonte, a Análise Transacional oferece não apenas um conjunto de intervenções clínicas, mas um compromisso com o fortalecimento da autonomia, da consciência e do vínculo autêntico.

Promover saúde cerebral é também promover encontros que nutrem, escolhas que libertam e estruturas internas que sustentam o desenvolvimento ao longo da vida. Seja na infância, na vida adulta ou no envelhecer, há sempre a possibilidade de reorganizar caminhos — no cérebro e na história de cada um de nós.

 

Por:Gabriela Tavares da Silva - Psicóloga Clínica CRP 04/39323,
Membro Certificado da UNAT-Brasil - Área de Psicoterapia

Agosto chegou e trouxe com ele o Dia do Selo, aquele que no imaginário coletivo, lembra colecionadores, cartas antigas e envelopes com cheirinho de passado. Mas, se você é analista transacional como eu, já sabe: selo mesmo é emocional, e a data é perfeita pra falar dele!

A Teoria dos Selos, proposta por Eric Berne, nos convida a olhar para algo muito humano: o hábito de guardar emoções, Carícias e vivências não expressas, como quem coleciona figurinhas ou selos raros. Só que esse álbum é diferente: tem dor, mágoa, raiva, ressentimento... ou até afeto não compartilhado. Segundo Berne, ao longo da vida, acumulamos experiências que deveriam ter sido expressas na hora. Uma conversa sincera, um choro sentido, um “você me machucou”, ou até um “eu te amo” que ficou entalado. Mas por várias razões (medos, normas sociais, scripts de vida), a gente engole a emoção e a guarda.

O grande problema é quando chega uma hora que esse potinho transborda, aí vem a explosão desproporcional, um isolamento silencioso, ou aquele ataque de choro que ninguém entendeu de onde veio. É o selo vencido querendo sair! E não se engane: a coleção pode ser de selos negativos (raivas, críticas engolidas, dores antigas) ou positivos (elogios não dados, afetos reprimidos, vontades de se aproximar). Ambos, quando guardados por muito tempo, viram armadilhas emocionais.

No consultório, a teoria dos Selos nos ajuda a compreender essas explosões emocionais aparentemente desproporcionais. Berne nos diz que esses selos acumulados, mais cedo ou mais tarde, vão querer ser trocados. Só que, quando não trocamos de maneira saudável, eles voltam como sintomas, explosões emocionais, crises de ansiedade ou decisões impensadas. Quando um adolescente explode após uma crítica banal, ou quando um adulto entra em colapso por um “não” simples do parceiro, estamos diante de uma coleção silenciosa, ou seja, selos antigos que finalmente acharam uma brecha para sair.

Com adolescentes, vemos selos guardados desde a infância: invalidações, abandonos simbólicos, exigências. Com casais, muitas vezes os selos são compostos por ressentimentos que foram engolidos por anos, sob o disfarce da boa convivência. Com adultos em sofrimento, vemos selos carregando traumas encapsulados, como experiências que nunca foram legitimadas por um outro. Berne nos oferece, então, não só um conceito — mas uma bússola de escuta. Porque se o paciente explode, não cabe apenas regular, cabe investigar o que foi acumulado.

Certa vez, um paciente me contou: “Eu engulo tudo, sinto que se começar a falar, não paro mais e vou perder todo mundo” A imagem era clara: ele estava cheio de selos emocionais acumulados e o medo de entregá-los era o mesmo que um colecionador sentiria ao se desfazer de peças raras. Mas ali o que estava em jogo não era uma coleção, era a saúde emocional. Começamos então a identificar quais selos ele carregava, de onde vinham, como foram guardados... e pouco a pouco, ele foi aprendendo a “gastar” os selos no tempo certo: nomeando emoções, expressando mágoas, oferecendo afeto. Uma revolução afetiva silenciosa.

Selo é diferente de Carícia, mas um leva ao outro: Carícia (ou Stroke) é uma unidade de reconhecimento social. Berne fala disso também: todo ser humano precisa ser visto, reconhecido, tocado — literal ou simbolicamente. Carícias são vividas no momento, elas têm potência nutridora, e quando não vividas, viram selos emocionais. Se eu guardo demais, fico empilhada por dentro. Se ofereço de menos, deixo os outros carentes. E se não aprendo a lidar com o ciclo das Carícias, viro refém do estoque emocional que Berne tão bem descreveu.

A metáfora do selo postal é potente: uma pequena imagem adesiva que dá permissão pra algo ser enviado. O selo emocional faz o mesmo: autoriza a emoção a ser enviada ao outro. Só que a gente aprendeu a rasgar cartas, esconder bilhetes e calar o coração. Em um mundo onde se manda um “rsrsrs” pra evitar dizer “fiquei triste com isso”, onde se responde com emoji pra não dizer “tô cansado de ser invisível”, os selos estão gritando dentro das pessoas.

Agora deixo uma reflexão para você, analista:

  • Seus pacientes estão colecionando selos?
  • Você tem ajudado eles a identificar, nomear e expressar o que está acumulado?
  • E você... que selos ainda guarda?

Fica o convite nesse mês simbólico: revisite suas gavetas internas. Que selos merecem ser trocados? Que palavras estão engasgadas? Que Carícias precisam circular antes que virem sintoma? Guardar demais, só na coleção de selos e olhe lá!

Feliz Dia do Selo, com afeto, presença e Berne no coração.

“Selo” no livro de Berne, O que você diz depois de dizer olá, é traduzido por Rosa Krausz por “figurinha” (Nobel, 1988, p. 122).

 

Por: LIZIANA RODRIGUES – MDF Organizacional da UNAT
Facilitadora e Mentora de Processos Formativos. Musicoterapeuta. Psicodramatista Socioeducacional. Especialista em Saúde Pública. Formada em Dinâmica dos Grupos/SBDG. Em formação em Análise Transacional Organizacional, pela UNAT. Mediadora de Conflitos pela Dialogar/Ctba. Docente do IMAP/Curitiba e da ENAP/Brasília. Atriz, Condutora, Diretora e Produtora Artística da Cia Re-Trato Playback Theatre. Artesã de Dioramas e Minimundos. Integrante do Movimento Cidades em Transição/Hub Brasil.

HISTÓRIA DA MODALIDADE DE TEATRO PLAYBACK

A primeira companhia de Teatro Playback foi fundada em 1975, por Jonathan Fox e Jo Salas nos Estados Unidos. Ainda hoje (agosto de 2025), oferecem cursos dos mais variados contextos locais e mundiais. Fox, à época, era um estudante de teatro de improviso, da narrativa tradicional oral, do método de psicodrama e do trabalho de Paulo Freire. Jo Salas, sua companheira até os dias de hoje, era musicoterapeuta e ativista. Na efervescência cultural desse período, o casal idealizou um “teatro de vizinhos”, onde pessoas eram convidadas a contar suas histórias pessoais, para serem encenadas pelos artistas. Eles tinham a intenção de simplificar o teatro e torná-lo inclusivo.

O Teatro Playback, tem como essência a representação de histórias narradas pela própria plateia e utiliza para isso a modalidade de improviso.

O nome deriva da ideia de representar de volta (playing back) as histórias narradas pelo público, dando a elas um tratamento artístico, com lealdade e respeito à essência da história original.

A METODOLOGIA:

  1. A Condutora acolhe a plateia e reconhece a presença de todos e todas. Os Playbackers (o elenco de atores, atrizes, condutora e musicista), se apresentam artisticamente para a plateia. Quando há um tema especifico para o espetáculo, é trazido esse tema.
  2. A condutora entrevista a plateia pedindo que as pessoas tragam pequenas histórias (short forms) do seu dia-a-dia e a partir de um comando, os playbackers representam cenicamente essas histórias, em seguida a narração, sem combinados prévios.
  3. Na sequência das short forms, a condutora solicita à plateia histórias mais longas, para que os playbackers, em ato continuo, sem ensaios, as representem.
  4. Para o fechamento do espetáculo a condutora oferece à plateia, uma forma cênica, onde todas as histórias encenadas são representadas em pequenas esquetes, dando a sensação de um fio condutor entre elas...
  5. A pessoa que faz a música, acompanha todas as cenas durante o espetáculo, como um/a playbacker também.
  6. O espetáculo, online ou presencial, tem duração em média de 1 hora e 30 minutos.  Em um espetáculo, os playbackers, colocam-se no palco à disposição da plateia, prontos para assumir qualquer papel e encenar qualquer história.
    Em uma evolução de cenas curtas para cenas longas, a condutora estimula as pessoas da plateia, sempre de forma voluntária e espontânea, a relatarem histórias que tenham acontecido com elas, para que os playbackers, sem combinação prévia ou qualquer ensaio, representem simbolicamente aquela narrativa.

O Teatro Playback é um instrumento potente no desenvolvimento humano e organizacional. A partir de temas trazidos pela gestão, como a identidade organizacional (missão, visão e valores), relações interpessoais, produtividade, turnover, procrastinação, relações de poder, entre outros temas organizacionais, podemos ofertar um espetáculo onde as histórias possam girar em torno do tema proposto.  Além de ser um momento inovador, reflexivo e de entretenimento, também apoia aspectos muito relevantes para o aprimoramento da cultura organizacional, tais como:

  • Gerar maior pertencimento dos colaboradores entre si e para com a organização;
  • Aumento de empatia e sinergia entre os participantes e os grupos/áreas dos quais fazem parte;
  • Ampliação de consciência e reflexão dos colaboradores sobre suas histórias, pontos fortes e de desenvolvimento;
  • Percepções e insights práticos sobre como lidar com imprevistos, tendo em vista que todo processo do espetáculo é improvisado, espontâneo e inesperado.

Neste ano de 2025, o Teatro Playback está fazendo 50 anos de existência no mundo!

HISTÓRIA DA CIA RE-TRATO PLAYBACK THEATRE / CURITIBA - BRASIL

A Cia. Re-Trato Playback Theatre é a segunda Cia. mais antiga do país nesta técnica teatral, tendo iniciado suas atividades em 1999 na cidade de Curitiba/PR. Desde então, vem realizando apresentações e ministrando oficinas, em teatros, escolas, universidades, organizações privadas e públicas e eventos de uma maneira geral. Atingimos aproximadamente 12 mil pessoas de todas as idades e setores da sociedade.

Atualmente é composta por 8 integrantes de várias áreas profissionais e regularmente traz atores e atrizes convidados para compor o elenco. Nestes 26 anos de existência, a Cia nunca deixou de realizar seus ensaios e entregar os espetáculos para a sociedade!

Esse grupo de pessoas, nesta jornada de acertos e erros, visto que a modalidade não era muito conhecida no país, com o passar do tempo e a experiência de cena nos mais diversos locais, tiveram seus conhecimentos solidificados, e atualmente os membros mais antigos do grupo colecionam formações importantes, como por exemplo: a formação da condutora em módulo Avançado em Teatro Playback com Jonathan Fox (criador do Teatro Playback) e a formação de Condução de Cias. de Teatro Playback com Jo Salas (cocriadora do Teatro Playback), assim como participação no 1º e 3º Encontro Nacional de Teatro Playback em Joinville e o 4º Encontro Nacional na cidade de Curitiba onde, junto com a Cia Re-Trato, foi anfitriã e abriu o encontro em novembro de 2023; Oficinas com Sheila Dônio (São Paulo - que é professora do Centro Internacional de Playback em Nova York e referência nacional na formação de atores e atrizes de Playback) e oficinas com a Cia. Dioniso, de Joinville, uma das Cia de referência no cenário nacional, entre outros processos formativos de atualização. Temos também um integrante que fez sua formação em Playback na Inglaterra. No elenco atual, há 3 pessoas facilitadoras de Comunicação Não Violenta. Isto dá uma dimensão para além da técnica, ou seja, uma dimensão mais humanizadora e includente.

Todas essas experiências pessoais e os 26 anos de experiências da Cia. em inúmeras plateias com contextos diferentes, demandas diferentes e, principalmente, pessoas diferentes, conferem a nossa Cia. um “know how” diferenciado. E para coroar essa jornada, em março de 2024, a Cia ganhou sua primeira sede na cidade, a Casa Re-Trato Arte e Saúde. Que tem como propósito oferecer momentos de conexão consigo mesmo, com a realidade externa, desenvolvimento de potenciais e cuidado a saúde física e emocional.

A CONDUÇÃO...

Na modalidade do Teatro Playback, quem tem a liderança do elenco durante o espetáculo, é chamado de Condutor/a. Trazemos esse novo termo aos palcos, diferente do teatro tradicional que usa a palavra diretor/a, porque nos ancoramos no significado da palavra, ou seja, é a condutora que vai “conduzir o caminho do espetáculo” naquele momento, pois não sabemos quais histórias vamos encenar e tão pouco quem vai vir trazê-las ao palco e nem quais atores encenarão, ou seja, montamos nosso “script” naquele momento, utilizando nossos padrões ou conservas culturais. Não há marcação de cena ou de palco... O método Teatro Playback, é uma metáfora da vida: nos preparamos tecnicamente para a vida, mas jamais saberemos o que realmente vai acontecer no dia a dia e precisaremos, nos adaptar, criar jeitos, improvisar em algumas vezes...

A Condução faz a entrevista junto a pessoa que narra e os atores imaginam algumas saídas cênicas para a história, mas para isso o elenco tem poucos minutos. Logo após a narração, a condução propõe um tema que tenha relação com a história e o elenco começa a encenar a história. Encenamos de 3 a 6 histórias longas por espetáculo e no final, trazemos pequenas esquetes para que a plateia possa fazer seus links de relação (perceber o fio condutor) entre uma história e outra.

A RELAÇÃO COM A ANÁLISE TRANSACIONAL (AT)

Nesta perspectiva do potencial de fazer emergir as emocionalidades, percebo o quanto a modalidade de Teatro Playback pode apoiar na condução dos processos dentro da AT.  Ela pode mobilizar e estimular no reconhecimento de comportamentos que, eventualmente, a expressão da fala não alcance.

Quando o narrador/a “se vê” no palco, ali há uma possibilidade de ver concretamente os padrões de conduta e, portanto, a chance de ressignificá-los, se não houver mais sentido para mantê-los e também tem a oportunidade de, estando de fora de sua própria história, perceber os outros personagens que a compunham.

Nossos padrões de comportamento não são “meras vontades”, são alicerçados em nosso ciclo de vida mais vulnerável, nossa infância, portanto, onde tínhamos poucos recursos emocionais para entender o que serviria ou não para aquele momento. Neste contexto de desenvolvimento, crescemos influenciados por padrões comportamentais que poderemos levar para toda nossa existência, ou não! A decisão de mudar, ressignificar, passa pela consciência de que o Script em que vivemos já não serve mais.

“Não me suportava em minha própria pele”, foi uma frase dita por um narrador, em um de nossos espetáculos... (Essa pessoa narrava sua decisão de mudança de gênero, e trouxe que ainda que fosse apoiado pela família, haviam vários outros desafios pessoais, sociais, físicos e emocionais para elaborar e superar). Não bastava a decisão. No entanto, ele vendo sua própria história sendo encenada no palco, se emociona, transborda em lágrimas e “reconhece”, “se qualifica”, “se autoaprecia” como positiva e afirmativa a trajetória que estava se proporcionando. Ali, numa epifania sagrada, ele consegue acessar uma “Permissão” para vivenciar com mais apropriação e leveza possíveis, sua decisão de reescrever seu próprio Script.

Em outro espetáculo, uma mãe traz em sua narrativa que, para salvar seu filho criança que estava se afogando na piscina (entrou sem permissão), pula imediatamente na água, agarra o filho, o traz para a superfície e, vendo que ele estava bem e não suportando viver a possibilidade da perda do filho, enfurece-se com ele, e o afunda e já o traz rapidamente para superfície da água para ele “aprender que não se deve fazer o que não lhe é permitido!”. Como um clássico Pai Crítico energizado (punidor, moralista, entre outras características), impinge ao pequeno filho, que acabara de viver uma situação traumática, o castigo por ter estimulado, nesta mãe, reações emocionais tão fortes. Isso fica muito visível na cena executada de forma excelente pelo elenco.

A encenação da história desta mãe, pode economizar caminho para um trabalho terapêutico... Pode possibilitar emergir conteúdo de uma forma mais explícita sobre seu Estado do Ego, suas qualidades de Carícias manifestadas, seus tipos de Transações e Jogos Psicológicos para compreensão de seu próprio contexto em setting de psicoterapia ou mentoria.

Outro exemplo do impacto do Teatro Playback para as pessoas é quando nos apresentamos dentro de organizações, públicas ou privadas, com temas como “relacionamentos interpessoais” ou “desenvolvimento de equipe” ou temas relacionados a poder. Como a premissa para preparação do elenco é confiança, aceitar a oferta, escuta compassiva, inclusão, senso de coletivo, pro atividade, senso de pertencimento, técnica apurada (profissionalismo), entre outros valores que ancoram o campo do elenco, só pelo fato da plateia ver como a metodologia funciona, independente da história narrada, já é uma demonstração de que produzir com qualidade em uma relação de ganha-ganha-ganha, em coletivo, é possível.

Nesta perspectiva, podemos perceber como os profissionais que trabalham na abordagem da Análise Transacional poderiam se beneficiar trazendo esse formato artístico dentro de um setting de trabalho individual ou em grupo (na abordagem terapêutica, organizacional e educacional).

Às vezes, no contexto da AT, quando estamos propondo a nossos clientes uma visão de mundo diferente, precisamos pensar que talvez esse diferente seja muito complexo para entender/compreender por ser um “não vivido” e, portanto, o caminho poderá ser mais longo.

Isto posto, a partir destes exemplos trazidos, avaliamos que o Teatro Playback pode beneficiar diretamente os trabalhos da AT, nos muitos contextos que ela atua, proporcionando ampliação de percepção e referência para novas formas de expressão no mundo.

“Ser psicóloga, pra mim, é um processo constante de escuta, aprendizado e reconexão. E cada passo nessa jornada tem sido uma oportunidade de crescer, de curar e de ajudar outros a fazerem o mesmo.”

Morgana Sayonara
CRP: 09/7647

Iniciei minha trajetória profissional na Psicologia em 2010, trilhando um caminho de descobertas, encontros e transformações. Desde o início, me vi profundamente conectada ao estudo das relações humanas — como as pessoas se comunicam, constroem vínculos, e como esses vínculos se mantêm (ou se rompem) ao longo do tempo. Minha primeira abordagem foi o Psicodrama, que me encantou justamente por trabalhar com grupos e possibilitar a expressão espontânea das emoções. Foi nesse espaço coletivo que comecei a entender a potência dos encontros e a força criativa presente em cada relação.

Na busca por mais conhecimentos, em 2018, fui apresentada à Análise Transacional — e posso dizer que ela ampliou completamente meu olhar. Passei a compreender de maneira mais profunda como nos comunicamos, como sentimos, e como esses sentimentos reverberam não apenas na psique, mas também no corpo. Essa abordagem me convidou a integrar aspectos da Neurociência, me ajudando a perceber o quanto nossas emoções, dores físicas e traumas estão entrelaçados com o funcionamento do nosso cérebro.

A Análise Transacional me ensinou sobre Autonomia emocional — a minha e a dos meus pacientes. Me ajudou a compreender os Estados de Ego, sua formação na infância e a influência do ambiente familiar nesse processo. Aprendi a reconhecer comportamentos automáticos que, muitas vezes, repetimos sem consciência, e o mais bonito: descobri que é possível criar novas formas de se relacionar, de se comunicar, de existir no mundo.

Falar sobre o que sentimos, expressar em vez de reprimir, não guardar Selos emocionais… tudo isso transformou minhas relações — comigo mesma e com os outros. E essa transformação pessoal se tornou também caminho de cuidado com meus pacientes.

No dia 27 de agosto, celebramos uma profissão que não se vê com os olhos, mas se sente com o coração. Ser psicólogo é mergulhar na alma humana com respeito, escuta e presença. É estar diante da dor do outro sem fórmulas prontas, acolhendo com ética, ciência e sensibilidade.

A Psicologia não é só sobre entender comportamentos, é sobre sustentar processos de transformação, sobre construir autonomia, sobre empoderar subjetividades - coisas que a Análise Transacional me ajudou muito e enxergar na minha atuação. É também sobre resistir num mundo que silencia afetos, que acelera o tempo e que muitas vezes despreza o cuidado emocional.

A importância dessa profissão se revela na sutileza: no espaço de fala que se abre, no olhar que não julga, na escuta que legitima. O psicólogo é aquele que acompanha caminhos sem carregar no colo, que apoia sem invadir, que sustenta sem aprisionar.

Num país marcado por desigualdades, violências e silenciamentos, a Psicologia se torna também ferramenta de justiça social. É através dela que muitas histórias podem ser reescritas — com mais consciência, mais afeto, mais liberdade.

Ser psicólogo é um ato de coragem e compromisso. É estar a serviço da vida em sua complexidade, da saúde mental como direito de todos, e da esperança como possibilidade real de mudança.

Neste dia, que possamos honrar cada profissional que escolheu essa jornada de escuta e cuidado. Que possamos valorizar a Psicologia como ciência e como prática, essencial em todos os espaços: da clínica à escola, do hospital ao CRAS, da universidade à rua.

Ser psicóloga, pra mim, é isso: um processo constante de escuta, aprendizado e reconexão. E cada passo nessa jornada tem sido uma oportunidade de crescer, de curar e de ajudar outros a fazerem o mesmo.





Aniversariantes

01 AGOSTO
Wagner Correa Munhe

04 AGOSTO
Meire Ellen Fialho da Silva
Suzana Blanski Schnekenberg

05 AGOSTO
Janaina Juracendi Ribeiro

06 AGOSTO
Elaine Maria Galon

07 AGOSTO
Catarina Stivali Teixeira

08 AGOSTO
Andréa Marques Zoccoli Roque
Bruna Suellen Duarte Godoi

09 AGOSTO
Lauander Silva Campos
Maila Turandot Flesch
Dulcineia Afonsina de Souza

11 AGOSTO
Balbina Ferreira Brites

12 AGOSTO
Patrícia Queiroz Oliveira
Otávia Souza B. R. do Sacramento

13 AGOSTO
Jussimar Santos de Almeida

14 AGOSTO
Lilian Ly Guimarães de C. Muller
Rosemary Napper

15 AGOSTO
Clarice Lima Trevas Auto
Jarvis Alexandre Zermiani

16 AGOSTO
Kátia Maria da Silva
Eduardo Cremonese de Medeiros

17 AGOSTO
Debora Juliana Segantine

18 AGOSTO
Jeane Aline Neves Moriguchi

19 AGOSTO
Maria do Carmo da Cruz Ribeiro

20 AGOSTO
Paula Garcia de Freitas
Elza Maria Franco Rocha
Luiz Felipe Cavalheri dos Santos

21 AGOSTO
Letícia Lara Fernandes

23 AGOSTO
Claudio Jose dos Reis
Patrícia Esther Cercal
Paulo Sergio Januario
Nelly Susana Maria Raurich Alvarez

25 AGOSTO
Eduardo Piquera Vianna

26 AGOSTO
Keitty Oliveira Silveira
Aline Neves dos Santos

27 AGOSTO
Marco Antonio Garcia Oliveira

29 AGOSTO
Adriana de Mello Duarte Pereira

30 AGOSTO
Jeferson Carlos Mendes de S. Nunes
Lurdes Rossato Zumstein
Enéia Mendes Morais Silva
Tania Elizabeth Caetano Alves

31 AGOSTO
Regiane de Oliveira de Souza

EXPEDIENTE
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